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Home - Brasil

Avanços na remissão do HIV: novos casos de sucesso

Editor by Editor
29 jul 2026
in Brasil
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A recente confirmação de dois novos casos de remissão do HIV decorrentes de transplantes de células-tronco trouxe esperança à comunidade médica durante a 26ª Conferência Internacional da Aids realizada no Rio de Janeiro. Com essas adições, o total de pacientes que não apresentam o vírus detectável em seus sistemas alcança 13.

Um dos casos destacados envolve um indivíduo conhecido como “paciente de Kansas City”, que foi diagnosticado com HIV e leucemia mieloide aguda aos 21 anos, uma condição que prejudica a produção de células de defesa no corpo humano.

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Contexto dos dois pacientes

O segundo caso é do “paciente de Essen”, na Alemanha, que também lida com uma infecção dupla, envolvendo dois tipos de HIV e hepatite B (HBV). Ambos os pacientes foram tratados com transplantes de células-tronco hematopoiéticas, as quais geram as células do sangue, incluindo os leucócitos que protegem o organismo.

Esses transplantes foram realizados com células de doadores que apresentam uma mutação genética única, conferindo resistência ao HIV.

O HIV pode somente se ativar ao invadir células. No caso do vírus da Aids, o alvo são os linfócitos T CD4+, essenciais para a imunidade e combate a infecções.

O dano ao organismo ocorre porque o vírus elimina as células de defesa, tornando os indivíduos vulneráveis a diversas doenças infecciosas. Sem uma quantidade adequada de células CD4+, a proteção do corpo é severamente comprometida.

Para infectar uma célula, o HIV se liga a receptores na superfície das células CD4+: o receptor CD4 e os correceptores CCR5 e CXCR4. Essa interação permite que o vírus penetre na célula, iniciando sua replicação.

Os doadores de células-tronco apresentaram uma forma alterada do correceptor CCR5, denominada CCR5 delta32, que bloqueia a entrada do HIV nas células. Sem essa conexão, o vírus não pode causar infecção.

Impacto do transplante

Após o transplante, os pacientes recebem células hematopoiéticas que possuem a mutação CCR5 delta32. Assim, as novas células T CD4+ que surgem são, em teoria, resistentes ao HIV.

Em ambos os casos, o tratamento com antirretrovirais foi interrompido para monitorar a resposta ao transplante. Mesmo depois de vários meses sem medicações, os pesquisadores não conseguiram detectar o vírus nos organismos de ambos os pacientes.

“A presença da mutação em homozigose, com ambos os pais transmitindo o gene CCR5 delta32 ao filho, ocorre em aproximadamente 10% da população do norte da Europa, sendo raramente encontrada em outros locais. A questão principal é se essa mutação realmente proporciona uma remissão duradora do HIV”, afirma Carina Elsner, uma das pesquisadoras envolvidas no caso do paciente de Essen.

No seguimento do paciente de Kansas City, já se passaram 14 meses sem a presença do vírus, enquanto no caso de Essen, a ausência foi notada por 12 meses. Contudo, a interrupção do tratamento antirretroviral trouxe de volta o vírus da hepatite B.

Por meio dessas investigações, ficaram evidentes as remissões do HIV, embora seja mais preciso referir-se a essas descobertas como remissões em vez de curas definitivas, uma vez que o retorno da infecção ainda não pode ser descartado.

“Cada caso é único, mas isso acrescenta ao número de pacientes que se recuperaram após o transplante de células-tronco”, disse Wissam El Atrouni, que conduziu a pesquisa com o paciente de Kansas City. “É imprescindível o acompanhamento contínuo, e agora planejamos testes mensais.”

O primeiro caso considerado curado do HIV foi o de Timothy Ray Brown, conhecido como “paciente de Berlim”, que recebeu um transplante de células-tronco em 2007, vivendo livre da infecção até 2020, quando faleceu de leucemia, a razão que motivou seu transplante.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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