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Home - Brasil

Rede Feminina Une Forças pela Justiça Climática no Brasil

Editor by Editor
02 ago 2026
in Brasil
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Uma nova rede de mulheres, com representantes de diversas partes do Brasil, surgiu com o objetivo de fortalecer a luta pelo clima e pela justiça nos territórios.

Intitulado Programa Defensoras por Defensoras, essa iniciativa, promovida pelo Observatório do Clima, reúne narrativas de mulheres dedicadas ao cuidado com as pessoas, a natureza e a preservação de suas tradições.

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Interações e Aprendizados Compartilhados

O grupo, composto por 36 mulheres que estão na linha de frente do ativismo ambiental, troca experiências, enfrenta desafios e se capacita para fortalecer suas ações locais.

A pernambucana Sara Marques, por exemplo, nasceu na comunidade Caranguejo Tabaiares, em Recife (PE). Esta área, que um dia foi um viveiro de pescadores, agora enfrenta as consequências de um crescimento desordenado que afetou drasticamente o Rio Capiberibe.

“Antigamente, eu conseguia prever a chuva observando a natureza, sabia quando era tempo de pesca. Nossos ciclos de vida estavam ligados à saúde do ecossistema”, relembra Sara.

Com a urbanização avançando, a comunidade de Sara, identificada como uma comunidade pesqueira, transformou-se. “Nosso rio agora está canalizado e com isso, muitas espécies se extinguiram ou sofreram redução significativa”, relata a ativista.

Despertar para a Restauração

Em Santa Catarina, a história de Mirian Prochnow ilustra outra realidade. Motivada pelo desejo de preservar a Mata Atlântica, que ela viu ser devastada, Mirian partiu para a ação.

“Ver caminhões levando árvores foi um estalo. Junto a um grupo de amigos, fundamos uma ONG para restaurar o meio ambiente”, conta Mirian.

A Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), que surgiu há 40 anos, começou com apenas 18 mudas, mas hoje é capaz de produzir mais de um milhão anualmente, abrangendo 200 espécies nativas.

Compartilhamento de Experiências

Valdineia Sauré, ou Val Munduruku, também se uniu ao grupo Defensoras por Defensoras, traz consigo a experiência do ativismo indígena. Vinda de Jacareacanga, no Pará, Val incorporou sua luta à sua formação acadêmica, reconhecendo as interconexões entre a proteção das terras e os impactos das mudanças climáticas.

“As questões territoriais não são isoladas; é necessário entender que somos parte da solução em um contexto maior, que envolve a juventude, mulheres e todos que militam por justiça social e ambiental”, enfatiza Val.

Poder da Comunicação

Unidas, essas mulheres não só fortificam suas vozes, mas também oferecem um novo olhar sobre as consequências das mudanças climáticas para diversos grupos sociais.

“É fundamental que todas as demais pessoas compreendam que as mudanças impactam a todos, inclusive grupo como mulheres e povos indígenas, que historicam suas preocupações com o ambiente”, afirma Val.

Reflexão e Ação Coletiva

Recentemente, o programa Defensoras por Defensoras lançou uma análise a respeito da Política Nacional de Cuidados (Lei 15.069/2024), destacando as necessidades de apoio para lideranças femininas.

“Muitas de nós não conseguimos nem cuidar de nossa própria saúde por conta de tantas pressões externas, principalmente em defesa dos territórios que ocupamos. A pergunta que frequentemente faço é: quem defende as defensoras?” questiona Val, trazendo à tona a urgência do tema.

Nesse contexto, elas propõem não apenas um cuidado mútuo, mas também uma relação profunda com a terra e o território, buscando suporte para todas as mulheres em situações vulneráveis.

“Precisamos garantir um acolhimento para que possamos juntas continuar essa luta, cuidando também de nossas vozes e daquelas que ainda buscam reconhecimento e respeito em seus territórios”, conclui Val Munduruku.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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