A condição conhecida como lipedema afeta uma em cada dez mulheres brasileiras, caracterizando-se pelo acúmulo anormal de gordura nas extremidades, especialmente em pernas e braços. Além de um desvio estético, essa doença pode resultar em dor, inchaço e limitações funcionais.
No próximo domingo (2), várias cidades brasileiras e internacionais serão palco de caminhadas, contando com a participação de pacientes, familiares e profissionais da saúde, com a meta de promover uma maior conscientização e facilitar o diagnóstico precoce do lipedema.
Em conversa com a Agência Brasil, Tatiana Losada, cirurgiã vascular e integrante da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, esclareceu que o lipedema é uma enfermidade crônica do tecido adiposo, manifestando-se principalmente através da gordura concentrada nas pernas e quadris, além de, em alguns casos, nos braços.
“Essa condição afeta quase exclusivamente o sexo feminino e pode acarretar dor, sensibilidade, sensação de peso, inchaço e tendência a hematomas”, comentou, destacando que celulite é uma alteração estética que não provoca dores significativas ou aumento proporcional dos membros.
Conforme a médica, no lipedema, além das anormalidades na pele, nota-se um aumento simétrico e excessivo das extremidades, como dor ao toque e hematomas frequentes. “Os pés e mãos frequentemente permanecem preservados, criando um efeito de garrote nas áreas dos tornozelos e pulsos,” acrescentou.
Tatiana salientou ainda que, apesar das distinções entre as condições, a confirmação do diagnóstico deve ser feita por um profissional de saúde.
“O diagnóstico é, em grande parte, clínico e baseado no histórico da paciente e nas avaliações físicas. Atualmente, não existem exames laboratoriais que confirmem o lipedema, mas o doppler pode ser usado para examinar a circulação e descartar outras condições”, explicou.
Ainda que seja considerada uma condição crônica, Tatiana aponta que o lipedema pode ser tratado e controlado com uma abordagem individualizada, envolvendo dieta saudável, controle de peso, atividades físicas, principalmente aquelas que fortalecem a musculatura, fisioterapia e terapias compressivas, junto a um acompanhamento profissional.
“Em casos selecionados, pode-se optar por cirurgia, visando reduzir dor e inchaço, assim como preservar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida”, afirmou.
As origens do lipedema ainda carecem de compreensão total, mas existe uma relação significativa com fatores genéticos e hormonais. Isso explica a frequência com que mulheres de uma mesma família apresentam características semelhantes, mesmo que não tenham recebido um diagnóstico formal.
“Os sintomas podem apresentar um agravamento durante períodos de flutuações hormonais, como na adolescência, gestação e menopausa. Embora o ganho de peso e um estilo de vida sedentário não sejam causas primárias do lipedema, eles podem intensificar os sintomas e a inflamação, além de sobrecarregar as articulações e afetar a mobilidade,” enfatizou.
Por fim, Tatiana recomenda que, ao notarem sinais de lipedema, as pacientes busquem médicos qualificados, evitando atribuir a condição unicamente ao sobrepeso.
“Realizar uma avaliação precoce é crucial para controlar os sintomas, proteger as articulações e evitar tratamentos desnecessários. Um diagnóstico adequado pode também ajudar a dissolver o peso de culpa que muitas mulheres sentem ao acreditarem que a condição se deve apenas a questões alimentares ou de esforço físico,” concluiu.
Fonte: Agência Brasil/EBC







