Considerado um marco cinematográfico, o longa paraguaio ¿Quién Mató a Narciso? foi distinguido com o prêmio de melhor filme sul-americano no Festival Bonito CineSur, que ocorreu no último sábado (1º) no Centro de Convenções de Bonito, MS.
Dirigido por Marcelo Martinessi, o filme é uma adaptação do livro Narciso, escrito pelo jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá.
História de um assassinato não resolvido
Inspirado no trágico assassinato do radialista Bernardo Aranda, em 1959, o filme retrata a vida de um jovem homossexual apaixonado pelo rock and roll, cuja morte, ocorrida de forma brutal enquanto dormia, permanece sem solução. Para a Comissão da Verdade e Justiça do Paraguai, essa morte teria sido orquestrada pelo governo militar da época.
A ditadura de Alfredo Stroessner, que perdurou por 35 anos, é considerada a mais longa da América do Sul, resultando em milhares de prisões arbitrárias, execuções e desaparecimentos. Dados de 2003 indicam que cerca de 20 mil pessoas foram presas e quase 3.500 tornaram-se exiladas, incluindo muitos do grupo LGBT+.
O ator Diro Romero, que dá vida ao personagem Narciso, expressou sua emoção ao receber o prêmio, afirmando: “Este reconhecimento é mais do que especial; temos tanto a compartilhar, histórias e mensagens a serem contadas ao mundo.”
Em sua fala para a Agência Brasil, Romero destacou a importância de reviver as memórias das ditaduras sul-americanas, para que os horrores do passado não se repitam.
“Embora a ditadura tenha terminado, sentimos que seus ecos permanecem. É vital estarmos conscientes e alertas”, afirmou, sublinhando a relevância do cinema na preservação da memória histórica.
Premiações e destaque para o meio ambiente
Outro destaque da cerimônia foi o diretor colombiano Alejandro Calderón, que recebeu três estatuetas, sendo uma delas por Hipopótamos, el Arca de Escobar, premiado como o melhor curta-metragem ambiental.
Calderón ainda conquistou prêmios pelo longa Páramos II: El Origen, que aborda a importância dos ecossistemas em risco devido à exploração desenfreada. Ele aproveitou a oportunidade para homenagear os 150 ativistas ambientais assassinados na Colômbia nos últimos anos.
“A visibilidade é uma forma de proteção para eles. Dar a conhecer suas histórias é fundamental para a sua segurança e preservação”, reforçou o diretor.
Sobre o festival
Em sua quarta edição, o Bonito CineSur apresentou 32 produções de dez países da América do Sul, promovendo um intercâmbio cultural por meio de debates e homenagens a personalidades do cinema.
O diretor do festival, Nilson Rodrigues, expressou sua expectativa de ampliar a participação de países sul-americanos nas próximas edições, buscando criar um bloco coeso para a troca de produções audiovisuais.
“É essencial formarmos uma união na América do Sul como a que existe na Europa, para impulsionarmos a circulação de nossas produções. O festival é um espaço de conexão e celebração, mas precisamos ir além e formar parcerias efetivas entre as instituições culturais dos países”, completou Rodrigues.
Fonte: Agência Brasil/EBC







