Consequências devastadoras emergem após a realização da Operação Lívia, cuja investigação revelou uma rede criminosa capaz de induzir adolescentes a comportamentos autodestrutivos na internet. Realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul em colaboração com o Laboratório de Operações Cibernéticas, a operação foi apresentada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em 4 de outubro.
A operação se intensificou após um evento trágico: o suicídio ao vivo de uma jovem de 13 anos, ocorrido no dia 22 de julho durante uma transmissão no Discord. Antes do ato, a adolescente foi submetida à pressão psicológica para torturar e matar um gato.
Importância da Supervisão Parental
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Em coletiva de imprensa em Brasília, o ministro Wellington César Lima e Silva enfatizou a necessidade de vigilância e educação sobre a internet, envolvendo pais e sociedade.
“Solicitamos que redobrem a atenção no cuidado com os filhos em relação ao contato com conteúdos potencialmente perigosos, diante dos eventos alarmantes relatados.”
Desmantelamento da Rede Criminosa
A operação não se limitou ao Mato Grosso do Sul; foram cumpridos mandados de busca em mais quatro estados: Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro, com o apoio das polícias civis locais.
Entre os indivíduos detidos, há cinco adolescentes com idades entre 13 e 17 anos e um homem de 18, que utilizavam o Telegram para suas interações. O suposto líder da organização, um adolescente de 14 anos, foi apreendido no Rio de Janeiro, enquanto outro suspeito seria um seminarista de Pernambuco.
Segundo o delegado Alessandro Barreto, foi descoberto que o grupo criou uma chave PIX em nome da vítima sem o consentimento da mãe, permitindo que dinheiro fosse enviado para gastos relacionados a automutilação.
“Os criminosos utilizavam chaves PIX para enviar dinheiro à vítima, para a aquisição de instrumentos de automutilação.”
O material apreendido na operação será minuciosamente analisado para determinar a abrangência e a dinâmica da atuação da organização criminosa online.
Violação da Legislação de Proteção Digital
Victor Fernandes, Secretário Nacional de Direitos Digitais do MJSP, destacou a inobservância das normas estabelecidas pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) por parte de plataformas como Discord e Telegram. Ele mencionou que houve falhas na notificação das autoridades após o incidente, o que agrava a responsabilidade das empresas.
“O Discord deveria ter encerrado a transmissão e alertado as autoridades, mas não o fez, o que é um descumprimento sério das regulamentações.”
Além disso, ele levantou preocupações sobre a verificação de idade dos usuários, afirmando que crianças podem facilmente acessar conteúdos inapropriados sem supervisão.
“Situações de automutilação e suicídio de jovens estavam ocorrendo em grupos acessíveis a crianças, que não enfrentavam verificações adequadas para ingressar nessas plataformas.”
O ministério planeja encaminhar um pedido de investigação junto à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em relação à morte da adolescente.
Novas Vítimas em Potencial
O delegado Alessandro Barreto também revelou que a investigação originou outra possível vítima em uma unidade da federação, evitando que ela cometesse suicídio durante outra transmissão programada.
“Estamos levantando mais nomes de possíveis vítimas para informar os responsáveis a fim de que aumentem a vigilância.”
Fonte: Agência Brasil/EBC








