Em 2026, no dia 6 de agosto, Aécio Amado, um repórter sergipano de 35 anos, despertou antes do amanhecer para uma nova fase em sua carreira. Às 5h, já estava na redação da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, preparado para a estreia do programa Revista Nacional, que o levaria a dialogar com ouvintes de todo o Brasil.
Era comum ele se munir de várias fichas telefônicas e um gravador pesado, enquanto anotava tudo em um bloco. Acompanhado de informações sobre o trânsito e fatos policiais, sabia que o Rio, mesmo em um “inverno” peculiar de 1986, não faltaria em boas histórias.
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Durante a estreia, nervosismo foi deixado de lado enquanto ele ouvia o apresentador Valter Lima, direto de Brasília. O Revista Nacional mudaria de nome para Revista Brasil em 1998, mantendo o compromisso com informações relevantes e entrevistas longas, que se tornariam sua marca registrada.
Vivências de um repórter
Quarenta anos se passaram e Aécio, agora aposentado, recorda seu intenso cotidiano na rádio, como a emocionante cobertura do naufrágio do Bateau Mouche IV em 1988, onde 55 vidas foram perdidas na Baía de Guanabara.
“A cena foi chocante. Ao chegar, vi os corpos sendo trazidos nas embarcações”, detalha. Essa jornada intensa de reporter, cheia de desafios, fez parte de sua experiência profissional.
Duas horas imersas em notícias
Valter Lima, que esteve à frente do programa ao longo de quatro décadas, sabia que as manhãs exigiam dedicação. Contratado com o intuito de desenvolver um formato dinâmico e informativo, ele se destacava por suas madrugadas no estúdio, sempre atento às últimas notícias.
“A ideia era usar a rádio para aprofundar questões sociais, políticas e econômicas”, afirma Lima. O programa, transmitido não só de Brasília, mas também do Rio de Janeiro e da Amazônia, alcançou mais de 200 emissoras ao vivo desde o início.
Um dos primeiros desafios foi explicar ao público as complexidades da elaboração da Constituição de 1988, um momento marcante em sua carreira que o conectou a um ambiente de intensa mobilização política. Participou ativamente do Movimento Diretas Já, antes mesmo de 1985, e lidou com a epidemia de cólera de 1991 na Amazônia.
A conferência Eco 92 e a chacina da Candelária, onde oito crianças foram mortas em 1993, também deixaram marcas profundas, tanto profissionais quanto emocionais. “Esses eventos impactaram a todos nós”, reflete Lima.
Um projeto pessoal
Valter sempre teve uma conexão especial com a juventude, lembrando de seus primeiros passos em Brasília. Alistou-se na Aeronáutica e começou sua carreira como locutor, antes de se juntar à EBC. Para ele, ter a família ouvindo suas transmissões é motivo de grande satisfação.
“Orgulho-me de fazer parte da história da comunicação pública no Brasil”, desabafa.
Bastidores da história
Entre outros profissionais do setor, Fátima Araújo ingressou em 1977 na Rádio Nacional da Amazônia. Começou sua trajetória como assistente administrativa mas logo migrou para os estúdios, onde selecionava cartas de ouvintes.
A interação com o público mudou radicalmente com a chegada da internet nos anos 90 e as cartas foram substituídas por e-mails e mensagens constantes, mas a essência do trabalho se manteve a mesma, como destaca Araújo.
Fonte: Agência Brasil/EBC








