Até o dia 30 deste mês, o Centro Municipal Hélio Oiticica, localizado no centro do Rio de Janeiro, abriga uma exposição fotográfica que ressalta a inventividade e a perseverança dos vendedores ambulantes que atuam nas praias da capital fluminense.
Intitulada Não Somos Mula, a mostra, criada pelo renomado fotógrafo Rogério Reis, apresenta aproximadamente 120 imagens, a maioria delas inéditas.
Referências Artísticas e Socioculturais
O termo “mula” faz alusão direta aos ambulantes que sobrevivem puxando suas mercadorias nas areias, como os que vendem mate, transportando galões pesados.
As capture feitas por Rogério Reis durante suas caminhadas pela orla carioca oferecem uma perspectiva poética ao cotidiano árduo desses trabalhadores.
Por meio de suas imagens, o fotógrafo destaca a habilidade inovadora desses vendedores, que improvisam estruturas para otimizar o transporte de mercadorias e sua organização diária.
Equipamentos como carrinhos, caixas térmicas e guarda-sóis tornam-se verdadeiras obras de arte, revelando uma estética lúdica e artística, segundo o próprio Reis.
“Meu processo de trabalho visa sistematizar poeticamente esses artefatos e ferramentas utilizadas para a exposição dos produtos”, explica o fotógrafo.
A maior parte das fotos, cerca de 80%, foi capturada em Copacabana, uma das áreas onde a atividade é mais intensa, enquanto as outras 20% foram realizadas nas praias do Arpoador, Ipanema e Leblon.
Repercussão do Programa Tolerância Zero
A abertura da exposição ocorre em um contexto delicado, onde ambulantes estão se manifestando contra o Programa Tolerância Zero, uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro que visa reprimir a venda irregular nas praias.
Essa medida aumentou a fiscalização e gerou críticas, com alegações de que o comércio informal seria um vetor de criminalidade. O Movimento Unido dos Camelôs (Muca) tem se mobilizado, exigindo diálogo com as autoridades e denunciando a criminalização dos trabalhadores.
O Ministério Público Federal também se posicionou contra o programa, requerendo sua suspensão imediata, apontando a falta de diálogo na implementação da política.
Conforme relatos de Reis com os ambulantes, há um temor crescente de que as atividades comerciais nas praias possam ser privatizadas, colocando em risco a sobrevivência desses trabalhadores autônomos.
Em vez de aplicar o Tolerância Zero, Rogério Reis sugere que o governo poderia investir em um projeto socioeducativo para melhorar a qualificação desse ramo de trabalho.
Fonte: Agência Brasil/EBC







