Os relatos recentes indicam que a Ásia Central e os pequenos países insulares se encontram sob pressão intensa devido à degradação ambiental e à escassez de recursos hídricos. Mais de cinquenta nações e territórios estão enfrentando esses desafios. Os documentos foram divulgados durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Desertificação (COP17), ocorrendo em Ulaanbaatar, na Mongólia.
Impactos na Ásia Central
A região composta por Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, conhecida por suas vastas estepes e oásis, está perdendo sua característica tradicional.
Caracterizada como um dos pontos focais de degradação do solo, a Ásia Central já conta com mais de 80 milhões de hectares degradados, afetando cerca de 30% de sua população, equivalendo a aproximadamente 24 milhões de indivíduos. Segundo a UNCCD, as perdas econômicas causadas por essa degradação variam entre dois e seis bilhões de dólares anualmente.
Além disso, a região aquece a um ritmo duas vezes superior ao global, com geleiras encolhendo 30% em meio século.
Desafios para os Países Insulares
Os pequenos países insulares em desenvolvimento (SIDS) incluem 39 nações e 18 territórios localizados no Caribe, Pacífico, Atlântico e Índico, assim como no Mar do Sul da China. Nesses locais, cerca de 16,5% da superfície total, correspondente a 18,8 milhões de hectares, já apresenta algum grau de degradação, índice que está levemente acima da média global.
Mais de 70% dos SIDS enfrentam a escassez de água, e 43% de suas terras estão sob efeito de seca. Entre esses, 3% sofreram seca severa, enquanto 6% enfrentam seca extrema, evidenciando um incremento de 30% na área afetada por seca extrema entre os períodos de 1961/1970 e 2014/2023.
A insegurança alimentar é uma preocupação séria, afetando cerca de 16,3 milhões de pessoas, com 11,5 milhões vivendo em condições de subnutrição.
Atualmente, esses países recebem aproximadamente US$ 2 bilhões anualmente em financiamento público para adaptação, representando cerca de 0,2% do total global dedicado a questões climáticas. Os especialistas estimam que, para atender às necessidades de adaptação, seriam necessários pelo menos US$ 11,7 bilhões anuais, quase seis vezes o valor atual.
Yasmine Fouad, secretária executiva da UNCCD, enfatizou que tanto a Ásia Central quanto os SIDS apresentam vulnerabilidades similares, porém ainda têm potencial para melhorias.
“ A prioridade agora é acelerar esse progresso, investindo na gestão responsável da terra, promovendo cooperação regional e internacional e assegurando que as necessidades das pessoas e dos ecossistemas sejam consideradas nas decisões de desenvolvimento”, declarou Yasmine.
Fonte: Agência Brasil/EBC








