As tensões entre o Irã e os Estados Unidos escalaram dramaticamente nesta quarta-feira (2), resultando em ataques mútuos que marcaram o confronto mais intenso desde julho. Forças americanas realizaram bombardeios na costa sul do Irã, enquanto o país islâmico retaliou atingindo bases dos EUA em diversas localidades ao redor da região.
Os Estados Unidos emitiram advertências de represálias ainda mais severas. Por sua vez, o Irã acusou Washington de realizar um ataque que vitimou cinco pessoas durante uma celebração de casamento, deixando várias feridas.
Impacto econômico e reações regionais
A resposta da comunidade financeira foi rápida; bolsas na Ásia e Europa sofreram quedas significativas após os aerotransportes, levando os preços do petróleo a níveis elevados que não eram vistos desde julho. Isso contribui para um crescente cenário de crise econômica, exacerbando uma onda global de vendas de títulos e alimentando a inflação.
Na terça-feira (1°), o Comando Central das Forças Armadas dos EUA anunciou ataques a alvos das forças iranianas, incluindo defesas aéreas e instalações marítimas. A mídia no Irã reportou ações contra múltiplos locais próximos ao Estreito de Ormuz, local que Teerã tem utilizado para ameaçar navios que lá transitam sem autorização.
O Irã, por sua parte, respondeu a ataques que alegou serem direcionados às suas forças no Barein, Jordânia, Kuwait e Iraque. O objetivo declarado de Teerã se concentra em forçar a retirada das tropas estadunidenses das numerosas bases militares na região, onde estão há décadas.
O comando militar iraniano emitiu uma declaração reafirmando que quaisquer ações hostis dos EUA seriam respondidas de maneira ainda mais contundente e devastadora. Isso inclui a advertência a países que colaborem com as forças armadas dos Estados Unidos, alertando sobre possíveis consequências severas.
Houve também relatos das Forças Armadas da Jordânia que interceptaram 10 dos 13 mísseis disparados, com três caindo em zonas desabitadas. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter causado numerosas baixas entre tropas dos EUA, embora autoridades americanas tenham contestado que não houve mortos.
No Kuwait, o Irã relatou um ataque aéreo contra a Base Aérea Ali Al Salem, visando inclusive a residência de um oficial estadunidense. Um incêndio resultante de um ataque com drone iraniano em um complexo residencial não deixou vítimas, segundo o corpo de bombeiros local.
O Catar, que abriga a principal base aérea americana na região, responsabilizou o Irã legalmente por esses ataques e suas possíveis repercussões. Além disso, o Barein anunciou a destruição de drones iranianos que tentavam atacar sua localização.
O Irã também reportou que dois petroleiros foram danificados por minas próximas ao Estreito de Ormuz, reiterando suas ações contra interesses americanos.
Tragédia em celebração de casamento
Durante os ataques, o Irã registrou ao menos 12 mortes, incluindo uma criança de quatro anos em uma festa de casamento na cidade de Sirik, na costa do Estreito de Ormuz. A imprensa local informou até 68 feridos, compartilhando imagens tristes de crianças em hospitais. As autoridades iranianas compararam a tragédia a um ataque anterior em uma escola que resultou em 160 mortes.
O ataque e suas consequências ainda estão sendo apurados, e a Reuters não conseguiu obter uma confirmação independente dos eventos ocorridos. Um vídeo divulgado pela Agência de Notícias da Ásia Ocidental mostrou a devastação em um lar afetado, evidenciando a gravidade da situação.
“Estou aliviado que não houve mais vítimas”, comentou Ali Molahi, pai da noiva vítima do ataque.
Este episódio é considerado o mais significativo desde que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, havia suspendido bombardeios contra o Irã em julho, momentos antes de a situação se agravá-los.
Fonte: Agência Brasil/EBC








