Uma mobilização intensa das centrais sindicais está em andamento, visando a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, que propõe a substituição do regime de trabalho de seis dias com um de descanso por uma carga de 40 horas semanais. A ação é necessária, segundo os sindicatos, para assegurar a aprovação antes do primeiro turno das eleições em 2026.
O movimento, que se inicia neste fim de semana, busca pressionar senadores em todas as unidades da federação (UF) com o intuito de que a PEC seja apreciada em breve.
Reações dos Líderes Sindicais
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, expressou sua preocupação com os recentes anúncios do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que sinalizou que a votação da PEC poderia ser transferida para depois das eleições, uma manobra considerada uma traição ao povo pela liderança sindical.
“As empresas estão pressionando para que a votação ocorra após a eleição, já que muitos senadores podem não honrar seu compromisso com os cidadãos, traindo suas promessas”, declarou Nobre à Agência Brasil.
A possibilidade de antecipar a votação permanece, desde que haja uma forte mobilização da população.
“Se houver pressão nos estados, os senadores serão instados a agir. Precisamos que o povo cobre isso em suas campanhas. Queremos saber: onde está a 6×1 antes de pedirem os votos?”, enfatizou Sérgio Nobre.
Estratégias de Mobilização
Em uma reunião ocorrida na última sexta-feira (4), o Fórum das Centrais Sindicais delineou uma agenda de ações em prol da PEC 221 de 2019, especialmente após Alcolumbre anunciar que a votação ficaria para depois das eleições. As centrais planejam intensificar panfletagens em áreas comerciais onde a escala 6×1 é predominante e fortalecer as mobilizações nas redes sociais, além de preparar novos protestos.
Além disso, planejam solicitar uma reunião com Alcolumbre para defender a votação pré-eleitoral e expor as ações de parlamentares contrários à proposta, enfatizando a insatisfação entre os trabalhadores.
A Força Sindical, por meio de Miguel Torres, lamentou a decisão de Alcolumbre, que, segundo ele, abandonou as pautas dos trabalhadores. “A decisão de postergar a votação nos pegou de surpresa. A aprovação da PEC conta com o apoio de mais de 70% da população brasileira, e esse atraso nos preocupa, pois poderá nos levar a um retrocesso significativo”, comentou.
Desafios e Críticas
As centrais sindicais estavam esperançosas de que a PEC, após ser aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, pudesse seguir imediatamente para o plenário. Contudo, o adiamento gerou descontentamento, refletindo a percepção de que os parlamentares estão mais preocupados com interesses particulares em detrimento das necessidades do povo.
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), observa que a reivindicação por uma redução da jornada de trabalho é uma luta histórica que já dura quase um século.
Com o objetivo de garantir melhor qualidade de vida para os trabalhadores, as centrais defendem que a redução da jornada tem um custo acessível, como demonstrado na transição do regime anterior de 48 para 44 horas, ocorrido em 1988.
Perspectivas do Setor Patronal
Por outro lado, as confederações patronais estão expressando opiniões contrárias à PEC, defendendo que a aprovação pode incorrer em custos elevados para as empresas e impacto negativo na economia. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) solicitou que a votação da PEC 221 fosse postergada para um momento posterior às eleições, alegando que mudanças previdenciárias devem ser tratadas dentro de um contexto técnico e com planejamento adequado.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, enfatizou a importância de discutir a proposta com mais responsabilidade, em um ambiente que promova diálogos e análises técnicas adequadas.
Fonte: Agência Brasil/EBC








