Comemorando nove décadas de existência, a Rádio Nacional reflete sua rica trajetória durante o programa Caminhos da Reportagem, transmitido nesta segunda-feira (14). Sua influência permanece evidente nas artes, no rádio e na televisão brasileira.
A emissora pública integra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), alcançando até os pontos mais distantes do território nacional, com um vasto repertório de informações, cultura, música e entretenimento.
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“Abertura da maior estação de rádio no Brasil ocorreu em 12 de setembro de 1936, com a Rádio Nacional no Rio de Janeiro, destaque no Jornal A Noite.
Durante aquela época, o Brasil vivia um período de crescimento industrial e urbanização. Contudo, a maioria da população ainda residia em áreas rurais, sem acesso à alfabetização. O rádio emergiu como o primeiro veículo de comunicação em massa a atingir uma ampla audiência no país, e a Rádio Nacional destacou-se como representante desse fenômeno.
A Rádio Nacional iniciou suas atividades como uma emissora privada, mas foi nacionalizada por Getúlio Vargas na década de 1940, recebendo investimentos substanciais em infraestrutura e programação. Tornou-se líder de audiência, conforme dados do Ibope, oferecendo uma gama diversificada de conteúdos, incluindo notícias, música e radionovelas, em um formato inovador.
“A Rádio Nacional trouxe uma abordagem profissional diferenciada”, afirma a historiadora Lia Calabre. A emissora inovou ao firmar contratos exclusivos e criar orquestra e elenco de artistas. “O que a Nacional realiza? Ela molda suas próprias vozes”, completa Calabre.
O acervo da EBC preserva documentos dos antigos colaboradores que conquistaram uma legião de fãs pelos programas ao vivo. Figuras notórias como Emilinha Borba e Cauby Peixoto são parte desta história.
Seis das nove edições originais dos roteiros de “Em Busca da Felicidade”, a primeira radionovela do país exibida pela Rádio Nacional entre 1941 e 1943, estão guardadas. Este material rendeu à EBC o título de Memória do Mundo pela Unesco, reconhecendo seu valor histórico.
O tombamento dos roteiros está em andamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan) e deverá ser finalizado até o final do ano, conforme Maria Carnevale, gerente de acervo da EBC, que também mencionou planos de proteger outras gravações e documentos.
“Temos a expectativa de que uma parte significativa do acervo da Rádio Nacional seja tombada”, declara Carnevale.
A apresentadora Mara Régia, fã das artistas da emissora em sua juventude, celebra seus 45 anos de carreira no programa Viva Maria, que se dedica a temas do universo feminino e aos direitos das mulheres. Ela menciona eventos importantes, como transmissões da rodoviária de Brasília que contribuíram para a criação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.
A Rádio Nacional esteve atenta às transformações sociais e da comunicação, expandindo-se para incluir sete emissoras principais: a do Rio de Janeiro (1936), Rádio Nacional de Brasília AM (1958) e FM (1976), Rádio Nacional da Amazônia (1977), Rádio Nacional do Alto Solimões (2006), e as emissoras de São Luís e São Paulo, ambas inauguradas em 2021.
Em 2007, ao ser integrada à EBC, a Rádio Nacional se tornou um veículo público, solidificando seu compromisso com a cultura e cidadania.
De acordo com Thiago Regotto, diretor-geral da EBC, “a trajetória da Rádio Nacional, com suas lições e expansão, tornou-a um dos alicerces da radiodifusão pública, promovendo música brasileira e um jornalismo abrangente e crítico, essencial para a formação de opiniões informadas”.
O professor Marcelo Kischinhevsky, do Núcleo de Rádio e TV da UFRJ, ressalta o papel da Rádio Nacional como um elo na Rede Nacional de Comunicação Pública, que conecta mais de 140 emissoras públicas. Esse esforço busca proporcionar conteúdo educativo e informativo de qualidade, essencial em tempos de desinformação.
Ao longo desses 90 anos, a Rádio Nacional tem se mantido conectada ao Brasil. Hernandez Lopes, um jovem de 14 anos, relata que aprendeu a apreciar a emissora através de seu pai, que por sua vez, herdou essa preferência da mãe.
Residente de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Hernandez participa ativamente do programa Revista Rio por telefone. “Solicito as canções que aprecio e a emissora nunca me decepciona”, destaca. O estudante valoriza a experiência comunitária da música. “Esse formato antigo, onde todos ouvem juntos, proporciona um senso de união, pois não é apenas uma pessoa ouvindo, mas várias, possibilitando interação na programação”.
Fonte: Agência Brasil/EBC








