A sessão no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) vai abordar se o ministro Alexandre de Moraes poderá ser alvo de investigação devido a uma interação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Agendada para as 10h, a audiência será transmitida ao vivo pela TV Justiça e pela internet.
Contexto da Análise
A solicitação para que o STF avalie este caso foi feita pelo ministro André Mendonça, que atuava como relator do caso Master. Isso se deu após a Polícia Federal (PF) descobrir contatos entre Vorcaro e um telefone vinculado ao ministro Moraes.
Esses diálogos foram obtidos por meio da quebra do sigilo do celular do ex-banqueiro, que se encontra detido devido à Operação Compliance Zero, a qual investiga irregularidades financeiras na instituição Master, assim como a tentativa de aquisição desta peloBanco de Brasília (BRB), uma entidade estatal integrada ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Procedimento da Sessão
Segundo as diretrizes estabelecidas pelo presidente do STF e novo relator do caso, ministro Edson Fachin, a sessão começará puntual e com a leitura da ata da reunião anterior.
Após as saudações iniciais, Fachin apresentará o caso e fará a leitura do relatório correspondente.
A palavra será então entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestará antes do início das votações.
Não há confirmação se o ministro Moraes participará da sessão.
Os ministros que compõem o plenário incluem Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.
A presença de Dias Toffoli também é incerta. Inicialmente, ele se declarou suspeito para tratar do caso Master por conta de seu vínculo com um resort adquirido por um fundo de investimento associado ao banco em questão.
A deliberação poderá ser suspensa por qualquer questão de ordem levantada por um ministro, além de um possível pedido de vista.
Desdobramentos do Caso
O caso tomou conhecimento público no primeiro dia de setembro, quando o relator anterior, André Mendonça, decidiu retirar o sigilo do processo e enviou as trocas de mensagens a Fachin.
Segundo a Constituição e o Regimento Interno do STF, é responsabilidade do plenário a análise de delitos cometidos por seus membros.
A investigação sugere que Vorcaro enviou cerca de 50 mensagens para o número do ministro Moraes antes de ser preso em 17 de novembro do ano passado.
Embora Moraes não seja o relator do caso Master, ele começou a ter interações com Vorcaro quando o escritório de advocacia de sua família prestou serviços para o banco.
No dia 15 de novembro de 2025, Vorcaro expressou preocupação quanto ao andamento das investigações da PF, que ainda seguiam em primeira instância na Justiça Federal em Brasília, citando os nomes do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor da PF, Andrei Rodrigues.
Uma das mensagens do ex-banqueiro dizia: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”.
Apesar da menção, nenhum indício foi encontrado que sugira que Gonet e Rodrigues tenham exercido alguma influência nas investigações.
No dia seguinte, Vorcaro evocou o juiz Ricardo Leite, que havia sido relator das investigações, manifestando preocupação com a possibilidade de enfrentar um mandado de prisão.
Ele questionou: “Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?”.
Em 17 de novembro, o ex-banqueiro foi detido sob ordem do juiz Ricardo Leite, e posteriormente o caso chegou ao STF.
Reação de Moraes
Desde que as conversas foram divulgadas, o ministro Alexandre de Moraes não comentou especificamente o conteúdo das mensagens.
Após o envio dos diálogos a Fachin, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news e alegou que este direcionou a investigação contra ele por motivos de natureza política, mas Fachin posteriormente revogou essa inclusão.
A posição da PGR
Na tramitação do caso, o procurador-geral Paulo Gonet, mencionado nas comunicações, defendeu a anulação do relatório da PF que se debruçava sobre as conversas.
Em sua manifestação ao STF, Gonet declarou que Mendonça agiu ilegalmente ao aprofundar a investigação a respeito do caso Master com o intuito de explorar as conversas entre Moraes e Vorcaro.
Para o procurador, qualquer aprofundamento da investigação requer a autorização do plenário da Corte.
Fonte: Agência Brasil/EBC







