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Home - Brasil

Proporção de Empreendedores Com CNPJ no Brasil Atinge 35%

Editor by Editor
23 set 2026
in Brasil
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A pesquisa mais recente indica que 35 em cada 100 empreendedores no Brasil, em 2025, possuem o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), totalizando aproximadamente 10,7 milhões de pessoas registradas. Esta taxa representa um recorde histórico conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mesmo ano, o total de ocupações no país foi de 103 milhões, dos quais 30,6 milhões eram classificados como empreendedores, incluindo empregadores e autônomos. Destes, cerca de 20 milhões, ou 65%, operavam sem registro no CNPJ.

Informações Relacionadas:

  • Projeções do PIB são reduzidas para 2% em 2026 e 2,3% em 2027.
  • Arrecadação federal atinge R$ 2 trilhões em menos de um ano.
  • Corte na Selic é ligado à desaceleração econômica.

Estes dados foram reivindicados de uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta quarta-feira (23).

Essa investigação é realizada desde 2012, exceto nos anos de 2020 e 2021, devido à pandemia de covid-19, que impediu a coleta de informações.

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Evolução ao Longo do Tempo

No início da série em 2012, apenas 24% dos empreendedores possuíam CNPJ. No último ano pré-pandemia, essa cifra subiu para 29,3%. Em 2024, o indicador foi de 33,6%. Ter um CNPJ acarreta diversas vantagens, como a possibilidade de emitir notas fiscais, acessar crédito e serviços bancários voltados para empresas, além de contratação formal de empregados e previdência social.

Esse fenômeno de formalização também traz benefícios para a economia, já que os trabalhadores contribuíram com tributos.

Acompanhe a evolução do número de empreendedores que possuem CNPJ:

2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2022 2023 2024 2025
24% 25,7% 27% 28,3% 28,9% 28,1% 29% 29,3% 34,1% 33% 33,6% 35%

A Classe dos Empregadores e Autônomos

O IBGE categoriza os empreendedores em dois grupos: empregadores e trabalhadores autônomos. O trabalhador autônomo é aquele que gerencia sua própria atividade, enquanto o empregador é quem possui um negócio e contrata pelo menos um funcionário.

Dentre os empregadores, 81,1% possuem o CNPJ, e esse número permanece acima de 80% desde 2019, uma tendência classificada pelo IBGE como “estável em patamar elevado”.

No segmento dos trabalhadores autônomos, a taxa é de 27,1%, a maior registrada na história. Em 2012, essa proporção era de apenas 15%.

Ainda que a taxa tenha atingido um patamar recorde em 2025, William Kratochwill, analista da pesquisa, classifica esse índice como “baixo”, apontando uma relação com o nível educacional dos trabalhadores.

“A incidência de registro está intimamente relacionada à educação. Quanto mais qualificado é o indivíduo, mais preparado ele se mostra para atuar no mercado”, complementa.

Registros por Nível de Escolaridade

Pela primeira vez, mais da metade (50,8%) dos trabalhadores autônomos com ensino superior estão formalizados recentemente.

Os que possuem ensino médio completo e superior em andamento (29,7%) superam a média total (27,1%).

Por outro lado, aqueles com apenas o ensino fundamental completo e médio incompleto (18,6%) e os sem instrução e com fundamental incompleto (11%) apresentam as menores porcentagens.

Segundo Kratochwill, o crescimento do registro CNPJ entre os mais instruídos é impulsionado por iniciativas governamentais visando a desburocratização e redução de custos, como o programa do Microempreendedor Individual (MEI).

“Esse programa permite a formalização facilitada da empresa, possibilitando ao indivíduo registrar sua empresa, abrir conta bancária e realizar transações formais, como receber pagamentos via Pix ou boleto”, explica.

Microempreendedor Individual

O Microempreendedor Individual é a modalidade pela qual o trabalhador pode se formalizar, usufruindo de um sistema simplificado de tributação e benefícios previdenciários, como aposentadoria, auxílio-doença e pensões.

Para se qualificar para o MEI, o trabalhador deve atender a uma série de requisitos, incluindo: atuar em atividades permitidas, manter no máximo um empregado que receba até um salário mínimo, não ser sócio de outra empresa e ter faturamento anual de até R$ 81 mil (com exceções para algumas atividades).

Setores de Atividade

Dos cinco grupos de atividades analisados, dois mostraram taxas acima da média econômica em relação ao CNPJ:

  • Comércio e reparação de veículos: 36,7%
  • Serviços: 33,5%
  • Indústria: 22,8%
  • Construção: 14,8%
  • Agricultura e pecuária: 6,5%

O levantamento do IBGE sugere que, de 2012 a 2025, houve uma redução na proporção de trabalhadores autônomos e empregadores em cooperativas, passando de 6,3% no início da série para 4,7% em 2025.

Sindicalização

A pesquisa notou estabilidade na quantidade de trabalhadores sindicalizados no Brasil, revertendo uma tendência de queda que perdurou até 2023.

Em 2012, 16,1% dos trabalhadores estavam associados a sindicatos, diminuindo para 8,4% em 2023. Porém, em 2024, esse número subiu ligeiramente para 8,9% e se estabilizou em 8,8% em 2025, cadastros totalizando cerca de 9,1 milhões de indivíduos.

A análise de longo prazo destaca que 2017 foi um ano crucial na redução significativa da quantidade de trabalhadores sindicalizados, em parte devido à reforma trabalhista implementada naquele ano.

Esse reformista aboliu a obrigatoriedade da contribuição sindical. Além disso, o analista da pesquisa supõe que os trabalhadores podem não estar satisfeitos com os serviços prestados pelos sindicatos.

“Caso um serviço esteja aquém das expectativas, as pessoas tendem a se afastar, uma vez que isso não atende às suas necessidades”, diz.

William Kratochwill ressalta que os dados também sugerem uma baixa adesão dos jovens aos sindicatos, enquanto os trabalhadores mais velhos, acima de 40 anos, estão se afastando dos mesmos.

“Enquanto os jovens não se unem, os mais experientes estão se distanciando”, resume.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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