A intervenção do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras gerou protestos entre uma ala significativa do Congresso dos Estados Unidos. Uma carta foi enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, por 31 membros do Partido Democrata, mostrando descontentamento com potenciais interferências nas eleições presidenciais programadas para outubro de 2026.
Os signatários destacam que as ações do governo Trump insinuam uma tentativa de desestabilizar a robusta democracia do Brasil, definindo tais medidas como ameaças a uma aliança estratégica entre os dois países.
Ações e acusações
Na correspondência, os parlamentares vão além, alegando que o governo Trump estaria se mobilizando para garantir a vitória de Flávio Bolsonaro, um candidato alinhado à extrema direita e próximo de Trump.
Dentre os ataques listados, os parlamentares mencionam também a tentativa de impor restrições tarifárias a produtos brasileiros, possivelmente atuando para evitar a condenação de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que atualmente enfrenta problemas legais. O ex-presidente foi sentenciado a mais de 27 anos de prisão e atualmente cumpre pena em regime domiciliar.
Outro ponto de crítica foi a nomeação de Darren Beattie, um assessor de Trump, para lidar com assuntos relacionados ao Brasil. Para os legisladores, Beattie é um “extremista de direita” que recentemente não conseguiu entrar no país para se reunir com Jair Bolsonaro.
Os parlamentares também compararam a postura do governo Biden durante as eleições de 2022 no Brasil, quando houve uma clara definição de apoio ao sistema eleitoral e reconhecimento dos resultados.
“Os Estados Unidos, ao invés de proteger a democracia brasileira, adotam medidas que podem desestabilizar instituições democráticas e abalar a confiança no processo eleitoral”, argumentam os signatários.
A mensagem enviada reprova as ações do governo Trump como parte de um padrão de interferência nas democracias latino-americanas, citando também eventos recentes na Colômbia e em Honduras, além da Argentina.
Os parlamentares solicitam ainda esclarecimentos sobre várias ações do governo dos EUA que afetam o Brasil, incluindo:
- A <a href=”https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-07/entenda-lei-magnitsky-aplicada-pelos-eua-contra-alexandre-de-moraes”>aplicação da Lei Magnitsky</a> contra Alexandre de Moraes, ministro do STF;
- A <a href=”https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-05/decisao-dos-eua-sobre-faccoes-tenta-limitar-soberania-do-brasil”>designação de facções criminosas</a> como organizações terroristas;
- A <a href=”http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-08/brasil-repudia-revogacao-de-visto-de-embaixadora-nos-eua”>revogação do visto</a> da embaixadora Maria Luiza Viotti.
Ainda se pede um compromisso do governo americano em respeitar os resultados das eleições brasileiras e manter relações normais com o futuro candidato eleito.
Lula e a defesa da soberania
Durante uma recente <a href=”http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-09/o-brasil-nao-cabe-no-quintal-de-ninguem-diz-lula-na-onu”>declaração na Assembleia Geral da ONU</a>, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a necessidade de respeitar a soberania das nações, condenando as tentativas de ingerência externa nos processos políticos da América Latina e do Caribe.
“Presenciamos novamente interferências externas em eleições, refletindo ações neocoloniais que são antiquadas”, disse Lula, referindo-se a situações na Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.
Fonte: Agência Brasil/EBC








