Um novo guia lançado pelo Geledés – Instituto da Mulher Negra oferece um panorama sobre como os profissionais que atuam no setor de cuidados podem acessar direitos e políticas públicas no Brasil.
Através de uma abordagem clara e pedagógica, o Guia de Acesso a Políticas de Cuidado detalha os trâmites necessários para obter suporte, incluindo quais documentos apresentar e os passos para se registrar em portais como o sougov.br e o SUS Digital. O material também resume as políticas existentes para diferentes grupos.
Histórico do Trabalho de Cuidado
A publicação destaca que o trabalho de cuidados, especialmente desempenhado por mulheres – muitas vezes negras e em situações de vulnerabilidade – é frequentemente subestimado e desvalorizado. Essas profissionais desempenham um papel crucial na sociedade, garantindo a manutenção e o bem-estar social, sem o devido apoio econômico do Estado.
“É fundamental reconhecer que milhões de mulheres sustentam o desenvolvimento do país ao cuidar de outras pessoas. Contudo, elas carecem de proteção e suporte adequados”, afirma a coordenadora de Formação, Cuidado e Emancipação do Geledés, Nilza Iraci.
Divisão do Guia
O guia está organizado em seções que abordam políticas para crianças, idosos, e pessoas com deficiência, assim como para trabalhadores de cuidados remunerados e não remunerados. Há também orientações específicas para grupos em situação de vulnerabilidade, como mães-solo, mulheres chefes de família, e populações marginalizadas como indígenas e quilombolas.
O objetivo é celebrar conquistas e promover reflexões sobre como fortalecer políticas que atendam as realidades e necessidades dos trabalhadores do cuidado.
Trabalho de Cuidado no Brasil
Os trabalhadores remunerados nessa área incluem domésticas, cuidadores, e educadores sociais. Em contraste, os trabalhadores não remunerados são frequentemente mães, filhas e outras figuras familiares ou comunitárias que se dedicam ao suporte de seus entes queridos sem receber pagamento.
Importância da Política Nacional de Cuidados
De acordo com informações da ONU Mulheres, as mulheres no Brasil dedicam em média dez horas a mais por semana ao trabalho de cuidado em comparação aos homens. “Essas horas a mais não são apenas desperdício de tempo; são horas que poderiam ser utilizadas para estudos ou para participação ativa na vida pública”, afirma Gallianne Palayret, representante da ONU Mulheres no Brasil.
Embora a temática seja crítica, a Política Nacional de Cuidados no Brasil foi implementada apenas no final de 2024, com a meta de estabelecer um olhar mais atento às necessidades de quem cuida e desenvolver iniciativas, como a criação de mais creches e lares para idosos.
Fonte: Agência Brasil/EBC








