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Superando a Alopecia Areata: Histórias de Resiliência e Autoestima

Editor by Editor
27 set 2026
in Brasil
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Com uma incidência aproximada de 2% na população global, a alopecia areata é descrita pela dermatologista Enilde Borges Costa, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, como uma condição imprevista. Neste mês de conscientização, a Agência Brasil apresenta relatos de indivíduos que enfrentam a perda de cabelo.

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A alopecia areata, uma doença autoimune, consiste no ataque do sistema imunológico aos folículos capilares, levando a episódios de queda, que podem surgir em qualquer fase da vida. Frequentemente, observa-se um padrão cíclico, onde há crescimento e queda alternados do cabelo na região afetada.

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A médica esclarece que o organismo, em situações diversas, compromete o folículo capilar, impossibilitando o crescimento de um fio saudável. A condição pode se manifestar de três maneiras diferentes:

  • Perda de cabelo em pequenas áreas do couro cabeludo;
  • Alopecia total, onde ocorre a perda de todo cabelo na cabeça;
  • Alopecia universal, que envolve a perda de todos os pelos do corpo.

O diagnóstico ocorre durante a consulta médica, por meio de uma análise clínica das regiões sem pelos. Até o momento, não existem exames laboratoriais ou de imagem que possam contribuir para confirmar a condição. Como a alopecia não gera lesões visíveis, o principal indicador é a ausência de cabelo nestas áreas, podendo um simples teste de tração, onde o cabelo é puxado, ajudar na avaliação do especialista, assim como a observação de falhas em sobrancelhas, barba e cílios.

Aspectos Emocionais

A alopecia é fortemente influenciada por fatores emocionais e apresenta também um componente genético. Para muitos, a condição “desperta” após eventos que impactam o sistema imunológico ou em decorrência de outras doenças autoimunes.

Conforme Enilde explica, embora a alopecia não seja classificada como uma doença psicossomática, seus episódios frequentemente se revelam cíclicos e podem ser provocados por estresse intenso, entre outros fatores. A dermatologista destaca que atribuir a causa apenas a aspectos emocionais pode resultar em sentimentos de culpa no paciente.

A revisora de livros Beatriz Santos, que enfrentou a alopecia desde 2008, menciona que os médicos inicialmente insistiam na ligação entre sua condição e questões emocionais. No período em que tinha 15 anos, prestava vestibular e sua preocupação excessiva gerou comentários sobre sua saúde capilar.

“Sempre que chegava aos médicos, a primeira pergunta era: o que aconteceu? Eu não conseguia identificar nada. Era engraçado, mas incômodo. Se o estresse realmente fosse o causador, eu teria voltado a crescer cabelo assim que saísse de ambientes estressantes, mas isso não ocorreu”, relata ela.

Tratamento

A descoberta da condição se deu em um salão de beleza, quando Beatriz se preparava para um casamento e notou uma falha de 8 cm na nuca. Desde então, começou sua busca por um tratamento adequado.

Ela experimentou tratamentos com corticoide oral e injeções, mas os resultados foram insatisfatórios e os efeitos colaterais severos. Em consulta com a dermatologista Enilde, um corticoide mais apropriado foi prescrito, juntamente com pomadas e cremes, resultando em um crescimento capilar em algumas áreas.

Após um ano, Beatriz fez um exame de densidade óssea que indicou osteopenia, revelando perda óssea em alguém tão jovem. “O reumatologista me alertou sobre os riscos continuando com o corticoide e isso me fez repensar tudo… Decidi interromper o tratamento”, compartilha.

A dermatologista adverte que o uso contínuo de corticoides pode ter graves consequências, levando à perda de densidade óssea. O tratamento deve ser criteriosamente supervisionado. Em 2012, Beatriz enfrentou a alopecia total e, desde então, convive com a alopecia areata universal.

Com o passar dos anos, sua relação com a doença melhorou. Beatriz aprendeu a se sentir bem consigo mesma, embora tenha utilizado perucas, hoje aceita sua condição sem disfarces. A terapia foi fundamental nesse processo. “Aprendi que a vida se expande em várias direções e a alopecia não pode ser o centro das minhas preocupações. Busquei viver mais intensamente em outros aspectos da minha vida”, reflete.

Apoio Emocional

Com o intuito de apoiar pacientes que, inicialmente, desejam se esconder, Enilde criou o Alopecia Areata Grupo de Apoio (AAGAP) em São Paulo, que se reúne mensalmente para troca de experiências e suporte emocional através de um grupo no WhatsApp.

Beatriz, junto aos pais, participava dessas reuniões e nutre carinho por esse espaço, assim como Juliana Fernandes, que colabora no acolhimento e na coordenação do grupo. Juliana, que lida com a doença há 35 anos, teve seu primeiro episódio aos 10 anos, quando sua mãe percebeu a falha durante o penteado. Ela passou a receber tratamento, mas aos 17 anos descobriu que a medicação já não surtia o efeito esperado.

Depois de conseguir um emprego com plano de saúde, foi aconselhada a buscar uma segunda opinião. Nesse novo consultório, o médico confirmou que o cabelo talvez não crescesse mais.

“Desde o início, eu e minha mãe pensávamos que era algo temporário, um problema pontual, e não entendemos a fundo sobre a doença autoimune e genética. Na época, não existia tanta informação acessível”, lembra.

Brasília - DF - A alopecia areata é uma doença autoimune, caracterizada pelo ataque ao folículo piloso. ( Juliana Fernandes convive com a alopecia areata universal há mais de 20 anos). Foto: arquivo pessoal
Juliana Fernandes convive com a alopecia areata universal há mais de 20 anos. Foto: Arquivo pessoal

Após compreender melhor sua condição, Juliana enfrentou altos custos com medicamentos que não resultaram em melhorias. Optando por não disfarçar sua alopecia, recorreu ao suporte do grupo de apoio e terapia. “Fiz terapia por quatro anos, e isso me transformou. Aprendi que nunca tive autoestima, mesmo com cabelo. Hoje, me aceito. Estou há mais de metade da minha vida sem cabelo; isso é natural para mim”, afirma.

Aceitação e Diferenciação

Juliana observa que diariamente novos pacientes se juntam ao grupo. Mães, como Regina Ramos, buscam apoio, especialmente quando o filho encontra a alopecia pela primeira vez em tenra idade. O filho de Regina, aos 8 anos, evoluiu rapidamente para uma alopecia universal, resultando na perda completa de pelos. Nenhum tratamento, até o momento, trouxe resultados.

A família decide priorizar a saúde do jovem e focar em suas questões emocionais. Regina acredita que o fortalecimento da autoimagem e autoestima é o melhor caminho. “O tratamento que mais importa é trabalhar a autoestima dele, é algo que consigo ajudar”, considera.

A mãe Paloma Monteiro da Lava, por sua vez, busca auxiliar Levi, seu filho de 5 anos, que também vivenciou a transição para a alopecia universal após um episódio de febre alta. A família está atenta ao progresso, e mesmo que o tratamento cause efeitos colaterais, a saúde sempre será prioridade.

Brasília - DF - A alopecia areata é uma doença autoimune, caracterizada pelo ataque ao folículo piloso.   Paloma Monteiro da Lava comemora aniversário do filho Levi, de 5 anos. Foto: Arquivo pessoal
Paloma Monteiro da Lava e família comemoram o aniversário do filho Levi, de 5 anos. Foto: Arquivo pessoal

Paloma se propôs a ser a voz de Levi, transmitindo conhecimento sobre a alopecia aos outros e fortalecendo a autoestima do filho. “Percebi que crianças como Levi tendem a se esconder. Quero que ele se aceite e viva como qualquer outra criança”, enfatiza.

Dentro de sua rotina adaptativa, Levi leva bonés e óculos, mas as crianças da mesma faixa etária não o tratam de forma diferenciada, ainda que existam algumas dificuldades com adultos. Paloma busca educar os filhos sobre diversidade e aceitação.

No entanto, o choque do diagnóstico a afeta. “Preciso prepará-lo para o mundo, mas quem me prepara?”, indaga. Ela trabalha para evitar situações desconfortáveis, como a “semana do cabelo maluco” da escola, onde Levi enfrentou constrangimento por não ter cabelo. A diretora acolheu suas preocupações e permitirá outras brincadeiras.

Da experiência, nasceu a campanha “Eu sou mais que aparência”. Nas redes sociais, Paloma compartilha informações sobre a doença, promove diálogos para combater a desinformação e proporcionar interação entre famílias, ajudando Levi a se identificar com outros que enfrentam a mesma condição.

“Meu objetivo é que ele compreenda sua condição e saiba que a falta de cabelo não o impede de viver plenamente”, conclui.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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