Seis anos após a trágica perda de Kathlen Romeu, sua mãe, Jacklline de Oliveira, clama por justiça e apoio da sociedade. Jacklline, de 45 anos, reaviva lembranças do último aniversário de 24 anos da filha em um evento familiar, onde a alegria e a vivacidade de Kathlen foram marcantes. Agora, em luto, ela recorda a jovem que, tragicamente, faria 30 anos no próximo sábado (3).
“Kathlen sempre foi uma filha cheia de amor, sonhava em ser modelo e ganhar seu próprio dinheiro”, compartilhou Jacklline. O destino, no entanto, foi cruel. A jovem, que já havia investido na compra de seu primeiro apartamento e aguardava o nascimento do primeiro filho, não teve a chance de viver essa realidade. Ela estava grávida de quatro meses quando foi baleada enquanto visitava a avó, em uma situação onde tanto ela quanto o bebê perderam a vida.
“Vivíamos o melhor momento da nossa vida, e de repente tudo virou um pesadelo. Em 5 anos, o Estado continua nos ferindo”, lamentou a mãe.
Com o objetivo de garantir que a morte da filha não passe impune, Jacklline está mobilizando amigos e familiares para o tribunal. Os policiais envolvidos, Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, serão julgados em 26 de novembro.
A Agência Brasil procurou comentar com a defesa dos policiais, mas não obteve resposta até o fechamento da matéria. Os acusados foram anteriormente absolvados de acusações de fraude processual, mas a promotoria recorreu e conseguiram ser condenados pela 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.
Analisando a realidade da segurança pública no Rio de Janeiro, Jacklline apela para que a sociedade não se torne uma cúmplice do que chamou de “morte diária” promovida pelo Estado. “É essencial que no dia do julgamento, a sociedade civil que se indignou em 2021 esteja ao nosso lado”, pediu ela.
A busca por justiça
Após a tragédia, amigos e familiares uniram-se em torno da luta por justiça. O caso de Kathlen e seu bebê, assassinado sem razão, questiona as práticas da polícia na região. O Ministério Público denunciou os policiais após pressão social, uma vez que houve tentativas de arquivar o caso.
Jacklline e Luciano, seu companheiro, expressam a necessidade de a sociedade se unir contra a letalidade policial, clamando por vidas seguras para todos. “É um ato de amor e resistência; lutamos pela memória de minha filha e para impedir que outras mães sofram como nós”, afirma Jacklline.
“Esperamos que nenhuma outra mãe tenha que enfrentar a dor que estamos passando”, completou ela, destacando a importância de uma mobilização social forte.
Para as autoridades, o apelo é claro: “Não adiantam cursos e treinamentos se a brutalidade policial não for contida. Temos que criar um ambiente seguro para todos”, finaliza Jacklline.
Fonte: Agência Brasil/EBC








