Liderados pelo Santos, clubes da Série A do Campeonato Brasileiro pedem à CBF que adie as punições previstas no novo Fair Play Financeiro nacional. Pelo regulamento atual, a partir de dezembro de 2026 o atraso no pagamento de dívidas deixará de ser tratado apenas com advertências e passará a render penalidades severas: multas, bloqueio de repasses, transfer ban, perda de pontos e, em casos extremos, rebaixamento. O pedido dos dirigentes é que esse prazo seja postergado para o fim de 2027 ou novembro de 2028.
O que derrubou a arrecadação dos clubes
O principal argumento das diretorias é o colapso no mercado de apostas esportivas. Uma Medida Provisória do Governo Federal suspendeu a atuação das casas de apostas no país, e o impacto nos cofres dos clubes foi imediato.
Treze dos vinte times da Série A possuem contratos com empresas de apostas, totalizando mais de R$ 900 milhões em patrocínios anuais. Só os quatro grandes paulistas — Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo — somam R$ 375 milhões nesses acordos. O Santos, por exemplo, já rescindiu seu contrato com a Novibet e só considera retomar a parceria se o cenário regulatório mudar — o que dirigentes consideram improvável. Diante do rombo, 21 clubes das Séries A e B acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a MP.
Por que os clubes pedem mais tempo
O futebol brasileiro acumula uma dívida histórica superior a R$ 16 bilhões. Para os dirigentes, exigir a quitação desse passivo em menos de um ano, em meio a uma queda brusca de receita, cria o risco de um “calote em cadeia” — inadimplências em série que podem afetar credores, jogadores e fornecedores ao mesmo tempo.
A crítica ao modelo atual
O Fair Play Financeiro foi criado pela CBF e pela recém-fundada Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para reduzir o endividamento crônico dos clubes e aproximar o futebol brasileiro dos padrões da UEFA. Mas os dirigentes apontam uma contradição no regulamento:
| Pilar do Fair Play Financeiro | Prazo atual | Proposta dos clubes |
|---|---|---|
| Punições por dívidas antigas | Início em dezembro de 2026 | Adiamento para 2027 ou 2028 |
| Teto de gastos com elenco | Transição progressiva até 2028 | Manter |
| Limite de endividamento | Adequação gradual até 2030 | Manter |
O argumento central é: se o teto salarial e o limite de endividamento têm prazos longos de adaptação, impor punições imediatas por dívidas antigas — justamente durante um choque de arrecadação — fere o equilíbrio do regulamento e inviabiliza a gestão da maioria dos clubes do país.







