A cada novo pleito, a participação de pessoas com deficiência nas votações oferece esperanças, mas ainda revela barreiras significativas. Este ano, 1,9 milhão de eleitores com algum tipo de deficiência foram habilitados para votar, uma marca inédita.
Alexandre Prudente, que é cadeirante, relata sua experiência desafiadora ao votar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Inicialmente, ele teve que enfrentar rampas e um elevador até o oitavo andar, apenas para descobrir que seu local de votação havia sido transferido novamente.
Transferências Inesperadas
“Minha seção estava anteriormente na Igreja Metodista de Vila Isabel e, embora na última eleição me deslocasse para a Uerj, agora fui orientado a voltar à igreja”, contou Alexandre, que encontrou dificuldades em verificar sua seção no dia da votação.
Após retornar para a Igreja Metodista, que fica a 1,5 km da Uerj, o eleitor enfrentou filas longas. Mesmo tendo direito a prioridade, levou uma hora para poder registrar seu voto. “Foi uma espera muito maior do que no ano anterior”, lamentou.
As estatísticas da Justiça Eleitoral mostram um crescimento visível no número de pessoas com deficiência que votam. Considerando dados de 2022, quando havia 1,3 milhão de eleitores nesta situação, a quantidade saltou para 1,9 milhão em 2026. Em resposta, a Justiça Eleitoral aumentou a quantidade de locais acessíveis, totalizando 220,5 mil seções adaptadas, comparado a 156,2 mil no último pleito.
Entre os eleitores com deficiência, 617 mil têm dificuldades de locomoção. Outros 319 mil apresentam deficiência visual, enquanto 182 mil possuem deficiência auditiva. Além desses, 64 mil registraram dificuldades ao votar. A categoria “outros” somou quase 1 milhão de registros.
Situação Crítica de Acessibilidade
Isaura dos Santos, de 77 anos, teve que subir escadas no Colégio Estadual Senor Abravanel para emitir seu voto. “Não havia elevador disponível e ainda estava tudo escuro. Como isso é aceitável?”, questionou, expressando sua frustração ao perceber que pouco tinha mudado desde suas últimas votações.
A atriz Isabela Quadros acompanhou sua mãe, Maria Lídia Gomes de Matos, de 85 anos, que após um AVC possui dificuldades motoras e na fala, mas ainda sim estava determinada a participar das eleições. “A escola não tem a estrutura necessária, mas a mesária foi extremamente prestativa”, elogiou Isabela.
Maria Lídia, ao sair do local de votação, respirou aliviada e afirmou que tudo correu bem.
Compromissos de Acessibilidade da Justiça Eleitoral
Antes das eleições, a Justiça Eleitoral reconheceu os desafios relacionados à acessibilidade. Muitos locais utilizados para a votação pertencem a instituições de ensino, cujo estado das instalações pode variar ao longo do tempo.
Para garantir a adequação, os tribunais regionais eleitorais realizam vistorias regulares para atualizações sobre as condições dos imóveis. Eleitores com deficiência têm prioridade para entrar nas cabines com um acompanhante, mesmo sem aviso prévio, desde que essa pessoa tenha pelo menos 18 anos e não esteja em serviço da Justiça Eleitoral ou de partidos.
Além disso, visando uma votação inclusiva, as urnas são equipadas com teclado em braile e um dispositivo que fornece instruções em áudio, que podem ser acessadas somente com fones de ouvido disponibilizados pela Justiça Eleitoral.
Fonte: Agência Brasil/EBC







