A recente reportagem da revista Veja que menciona um suposto depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro a respeito do presidente Lula provocou reações significativas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), notificou a publicação, solicitando um direito de resposta e contestando a veracidade das alegações, publicadas a poucos dias do segundo turno eleitoral.
A Polícia Federal (PF) já desmentiu a informação relacionada ao depoimento de Vorcaro, que supostamente detalhava um financiamento de documentário sobre Lula.
A corporação emitiu uma nota informando que, em relação à matéria intitulada ‘Vorcaro conta que liberou dinheiro para filme sobre Lula por negócios no governo’, não ocorreu qualquer depoimento com o conteúdo mencionado. A PF também destacou que não recebeu documentos ou informações de Vorcaro que corroborassem as afirmações da reportagem.
Na notificação extrajudicial, Padilha reforça que as alegações que unem o presidente Lula e ele próprio a falsos recursos financeiros não têm fundamento, caracterizando-se como “juridicamente nulas”. O documento cita manifestações oficiais da PF, da Procuradoria-Geral da União, e da defesa de Vorcaro que desmentem a narrativa publicada pela revista.
A resposta formal ainda menciona declarações da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da União que contradizem a versão apresentada pela Veja.
Em entrevista à Agência Brasil, o advogado de Daniel Vorcaro, Daniel Bialski, afirmou que não possui informações sobre o financiamento mencionado, esclarecendo que não estava à frente da defesa do ex-banqueiro quando propostas de colaboração foram discutidas. Ele assegurou que não houve nenhum novo depoimento perante a PF ou qualquer outro órgão sobre o tema.
Bialski enfatizou que não teve acesso a documentos que comprovassem o suposto financiamento e que seu cliente nunca tratou do assunto com ele.
Suspeita de manipulação de áudio e interferência eleitoral
O grupo Prerrogativas, que reúne juristas progressistas, requisitou uma perícia pela Polícia Federal no áudio relacionado à reportagem da Veja, que aparece a 16 dias do segundo turno das eleições. O ex-banqueiro é mencionado no contexto da notícia.
“Suspeitas de adulteração do áudio, seja por edição de trechos ou uso de inteligência artificial, existem, visando afetar o resultado do segundo turno”, afirmou o grupo em nota.
Além disso, o Prerrogativas destacou a ausência de informações sobre o momento, local e condições em que a gravação foi realizada. Eles relataram à PF que o áudio pode não ser autêntico ou íntegro, sugerindo que deveria ter sido produzido por meio de combinações de trechos de gravações distintas ou manipulação de voz com a intenção de interferir no processo eleitoral.
A ausência de dados contextuais essenciais, como data e local da gravação, também foi ressaltada. O grupo alertou que, caso a fraude ou o uso de síntese de voz seja confirmado, os responsáveis poderão enfrentar acusação por crimes eleitorais e fraude processual, devido à propagação intencional de desinformação.
Fonte: Agência Brasil/EBC








