O goleiro Mateusão, revelado pelo Palmeiras, perdeu o emprego em Portugal depois de agredir um jogador adversário durante uma partida da equipe B do FC Alverca, clube do qual Vinícius Júnior é acionista majoritário. Antes de reagir, o goleiro afirma ter sido chamado de “macaco”, “preto sujo” e ter ouvido “volte pra sua terra” — ofensas que, segundo ele, aconteceram aos 94 minutos de jogo, com testemunhas presentes.
O relato de Mateusão
Em longo desabafo publicado nas redes sociais após a rescisão, o goleiro descreveu o episódio como o ponto de ruptura de mais de dez anos convivendo com racismo em campo, no Brasil e no exterior.
“Há mais de dez anos venho sofrendo com isso dentro de campo, e os casos sempre acabam sem consequências práticas”, escreveu. Ao mesmo tempo, reconheceu a gravidade da própria atitude e pediu desculpas aos companheiros e à direção do clube.
A crítica ao Alverca — e a menção a Vinícius
O goleiro também expressou frustração com a postura do FC Alverca diante do caso. Mateusão afirmou esperar maior solidariedade do clube à causa antirracista — e foi além ao citar diretamente Vinícius Júnior, acionista majoritário do clube, lembrando que o próprio atacante brasileiro já foi alvo de ataques racistas no futebol europeu.
Ao final da publicação, o goleiro cobrou medidas efetivas de clubes, ligas e federações, defendendo que episódios de racismo e xenofobia deixem de ser tratados como problemas restritos ao ambiente de jogo.
A passagem pelo Palmeiras
Mateusão foi revelado nas categorias de base do Verdão e integrou o elenco campeão da Copinha de 2022 — o primeiro título do Palmeiras na competição. Depois do título, passou a figurar como terceira opção no profissional, sem chegar a atuar em partidas oficiais pela equipe principal. Entre 2022 e 2023, foi emprestado ao Portimonense, também de Portugal, antes de fechar com o Alverca.







