O tema do esporte como parte da política pública ganha destaque nas propostas dos dois candidatos que chegaram ao segundo turno das eleições presidenciais. Embora ambos reconheçam a interseção entre esporte e educação, as divergências se manifestam em suas abordagens sobre infraestrutura e o tratamento do esporte feminino.
O candidato Flávio Bolsonaro, do PL, menciona apenas a exclusão de atletas transexuais no contexto do esporte feminino, ignorando a importância desta categoria, especialmente em um ano em que o Brasil sediará a Copa do Mundo de Futebol Feminino pela primeira vez na América do Sul.
A proposta de Bolsonaro também não menciona o programa Bolsa Atleta, que em 2026, pela primeira vez, atingiu um recorde de 11 mil beneficiados, abrangendo categorias que vão do infantil ao olímpico. Ele se limita a sugerir a melhoria de bolsas destinadas a atletas de alto rendimento em conjunto com a iniciativa privada.
Por outro lado, Lula visa expandir as políticas esportivas estruturadas durante seu mandato anterior (2023-2026), propondo o Plano Nacional do Esporte (PNEsporte) e a construção de arenas através do Novo PAC. O candidato também ressalta o valor cultural e turístico do esporte, buscando integrar ainda mais estas dimensões nas políticas públicas.
As propostas de Lula incluem um foco direto nas mulheres, promovendo a Copa do Mundo de Futebol Feminino e assegurando investimentos em oito capitais brasileiras para garantir a excelência do evento e seu potencial turístico.
Assista abaixo aos planos de governo de ambos os candidatos:
Cidadania e Esporte
Embora ambos os candidatos vejam o esporte como uma ferramenta para cidadania, suas perspectivas diferem significativamente. Flávio Bolsonaro apresenta o esporte como um meio essencial de segurança e educação para os jovens, enfatizando seu papel em afastá-los da criminalidade.
Seu programa afirma: “Preparar uma família para a vida… envolve o esporte, que tira o jovem da rua e ensina o que a sala de aula sozinha não ensina”.
No entanto, Lula propõe olhar para o esporte como um vetor de desenvolvimento social e inclusão, destacando seu papel fundamental na cultura brasileira.
A também destacada contribuição econômica do esporte nos planos de Lula sugere que ele considera esta área uma das indústrias criativas a serem priorizadas, enfatizando sua importância para o desenvolvimento do País.
“Buscamos um Brasil que reconheça o esporte como força vital para nossa economia, capaz de gerar oportunidades e qualidade de vida”, diz seu plano.
Intersecção entre Esporte e Educação
Flávio Bolsonaro destaca a conexão entre esporte e educação, sugerindo a inclusão de atividades esportivas durante o recesso escolar. Ele cita o programa “Escola nas Férias”, propondo um combate à ociosidade das crianças. Entretanto, não apresenta detalhes específicos sobre a implementação desse plano.
O candidato observa que o esporte é uma ferramenta poderosa de formação, capaz de desenvolver disciplina e resiliência nos jovens.
Em contrapartida, Lula propõe a criação da Universidade do Esporte, uma instituição de ensino superior com o objetivo de melhorar a formação técnica e administrativa no setor esportivo, embora não relacione diretamente suas políticas ao ambiente escolar.
Gestão de Infraestrutura Esportiva
Bolsonaro destaca a construção de centros esportivos em diversas localidades como parte de seu compromisso com o tema. Essas iniciativas foram enfatizadas como fundamentais durante seu último mandato.
O foco na continuidade dos investimentos e na operação dos equipamentos esportivos é um dos pilares que ele considera essenciais para um futuro governo.
Enquanto Lula argumenta a favor de uma gestão direta de equipamentos esportivos, enfatizando parcerias com estados e organizações não governamentais, ele critica a privatização, considerando que ela deve ser restrita a áreas de alta complexidade técnica.
Segundo Flávio, a colaboração com a iniciativa privada, especialmente em alta performance, é igualmente vital, envolvendo clubes e instituições de ensino.
Além disso, busca fortalecer políticas esportivas nas escolas, apresentando a formação de times escolares e competições como estratégias para reduzir a evasão.
Fonte: Agência Brasil/EBC







