Uma obra da artista Mônica Ventura destaca um balaio, símbolo de emancipação econômica, situado no alto de um pilar de tijolos de barro, na exposição Abolicionistas Brasileiras, que está em cartaz até 19 de dezembro no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
A escultura não apenas expõe produtos e traduziu a história das mulheres negras na sociedade brasileira, mas também repercute a importância desse símbolo na prática de vendas, especialmente de alimentos, e seu papel na luta contra a opressão e pela autonomia financeira, desde os tempos da escravidão.
Recuperação Histórica
A exposição compila obras contemporâneas com peças do acervo do museu, trazendo à tona a história de oito mulheres abolicionistas: Anastácia, Aqualtune, Luiza Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis, Adelina, Esperança Garcia e Maria Tomásia. A intenção é reviver suas contribuições e refletir sobre os resquícios do racismo na atualidade.
Thaís Iroko, uma das artistas participantes, busca dar uma nova perspectiva à figura de Anastácia, que nas representações populares aparece muitas vezes silenciada e subjugada pela máscara de flandres, instrumento de tortura que impedia sua voz. A artista produzirá uma ilustração de Anastácia, enfatizando sua ceguera como representação do silenciamento que sofreu.
Segundo Ana Carla Soler, curadora da exposição, o desconforto com a ausência de obras de artistas negras em coleções foi o que motivou o Instituto Artistas Latinas a criar as represetnações dessas figuras históricas.
Denúncia e Reflexão
Outra obra significativo da exposição, intitulada Tetas que deram de mamar ao mundo, da artista Lidia Lisboa, ilustra as experiências das mulheres negra como amas de leite, ressaltando a continuidade de seus papéis trabalhistas e a recente equiparação de direitos com outros trabalhadores.
A curadora enfatiza a necessidade de fomentar discussões sobre a herança da escravidão e a importância da inclusão da narrativa negra na história do Brasil. “A exposição propõe um diálogo sobre a persistência do racismo, e uma reconstrução de uma sociedade mais justa por meio da arte”, afirma Soler.
O evento também já foi realizado em outros locais como o Museu de Arte do Rio e o Centro Cultural São Paulo, sempre buscando ampliar a presença de artistas negras nas narrativas culturais.
Fonte: Agência Brasil/EBC








