O ano de 2027 se aproxima, marcado por uma importante celebração do futebol feminino no Brasil, especialmente com o evento da Copa. Neste contexto, é lançado Time dos Sonhos, uma história em quadrinhos elaborada pela jornalista e pesquisadora Angélica Kalil, junto da ilustradora PriWi. A obra gira em torno de sete garotas que, enquanto se esforçam para montar um time de bairro, exploram a rica trajetória das mulheres pioneiras do esporte.
Publicada pela Bebel Books, com o apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC), a HQ é voltada para um público jovem, mas está sendo bem recebida por leitores de todas as idades.
Contexto e Conteúdo da Obra
Com uma linguagem leve e acessível, incluindo referências contemporâneas como memes, Time dos Sonhos visa preencher a lacuna existente sobre a história do futebol feminino no Brasil. Um dos motivos para essa falta de informações é a longa proibição da prática esportiva para mulheres no país, que perdurou por quase quatro décadas.
A proibição teve início em 1941, quando o então presidente Getúlio Vargas assinou uma lei que impedia mulheres de praticarem esportes considerados inadequados à sua natureza. Esta legislação alegava, por exemplo, que jogar futebol poderia comprometer a maternidade.
Embora essa restrição tenha sido revogada em 1979, a regularização do futebol feminino ocorreu apenas em 1983, e a pesquisa de Kalil revela que a mídia da época fomentou a ideia da proibição com manchetes como “Pé de mulher não foi feito para se meter em chuteiras”.
“Não foi apenas no Brasil que o futebol feminino foi proibido; em outros lugares, essa resistência persiste. Contudo, aqui ainda é notório um certo desprezo pelo futebol jogado por mulheres, muito influenciado por questões sociais arraigadas,” comenta Kalil.
O Lançamento
A HQ busca homenagear jogadoras que deixaram sua marca no esporte, como Fanta, Sissi e Marta. Para garantir a difusão dessa importante história, Time dos Sonhos está disponível em 150 livrarias físicas, além de plataformas online como a Amazon. A recepção tem sido calorosa, especialmente após o lançamento oficial no Centro Olímpico em São Paulo, que contou com a presença de mais de 100 jovens jogadoras.
As autoras estão também engajadas em atividades escolares e sociais, onde realizam oficinas e promovem um maior envolvimento com o tema do futebol feminino.
As personagens do livro têm nomes que prestam tributo a figuras importantes na luta pelos direitos das mulheres. PriWi criou essas personagens entre 2013 e 2018, buscando inspiração em amigas e garotas cheias de sonhos. Kalil trabalhou no desenvolvimento de suas jornadas, enriquecendo o projeto.
Apesar de ser voltado para o público infantojuvenil, a HQ tem atraído leitores de várias idades, demonstrando que a temática do futebol e da amizade ainda ressoa com muitos. Angélica Kalil enfatiza a importância de cada vez mais mulheres afirmarem seu espaço no futebol, seja como jogadoras ou como narradoras dessa história.
“Como Simone de Beauvoir destacou, a história das mulheres foi muitas vezes contada por homens. Mas este cenário está mudando, e agora é o momento de compartilhar a narrativa do futebol feminino,” conclui Kalil.
Fonte: Agência Brasil/EBC








