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Rua do Samba: Homenagem ao Legado Cultural em SP

Editor by Editor
01 ago 2026
in Brasil
Rua do Samba recebe placa oficial em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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A renomeação da Rua João de Barros, no bairro da Barra Funda, para Rua do Samba, ocorrida em 28 de julho, vem além de uma simples mudança de nome, representando um marco significativo na valorização do samba e da cultura negra na região. Com apenas uma curta extensão, esta rua tem sido um reduto de rodas de samba desde os anos 80, quando Carlos Alberto Tobias começou a organizar eventos locais.

A nova nomenclatura, que agora se ostenta na placa da rua, relembra a rica história da música e a contribuição da população negra para o desenvolvimento cultural da cidade. A família da cantora Simone Tobias, que é filha de Carlos Alberto e neta de seu Inocêncio, também faz parte dessa história. Em 1953, seu avô reorganizou um antigo grupo carnavalesco, que mais tarde se transformou na Escola Camisa Verde e Branco.

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Resgatando a Memória Cultural

Simone relata que “em 1914, seu Dionísio Barbosa, tio de minha avó paterna, fundou o grupo carnavalesco conhecido como Barra Funda. Em 1953, meu avô iniciou um movimento para reunir pessoas e criar um novo cordão, homenageando seu Dionísio com as cores do antiga grupo”. Ele tinha o apelido de “camisas verdes”, mas decidiu incluir o branco para evitar associações com os integralistas.

Os ensaios da comunidade aconteciam na frente da casa da família Tobias, anteriormente um porão em um cortiço que já não existe. Simone menciona que a especulação imobiliária, que começou a atuar no final da década de 70, desestabilizou a comunidade, forçando muitos moradores a se deslocarem para longe.

“Até mesmo para minha família, que se mudou para a periferia da zona norte na década de 80, era difícil entender como essa mudança radical, que parecia uma limpeza social, visava expulsar a população negra para as margens da cidade”.

Visando a preservação da memória negra do samba frente à gentrificação, surgiu o projeto Cartografias de Bambas, liderado por Nathália Oliveira. Ela enfatiza que essa movimentação é mais sobre identidade e pertencimento do que apenas sobre música.

“Considerar o samba apenas como um gênero musical é desvirtuar completamente o significado de sua história. Ao reconhecermos um bairro que está se tornando cada vez mais homogêneo, vamos silenciando esse legado”, ressalta Nathália.

A valoração da Rua do Samba é também um chamado para que se discuta como os negros preservam seu espaço de memória, legado deixado por seus antepassados.

Uma das iniciativas que fortalece esta memória é o Festival Cartografias de Bambas, que ocorre mensalmente na Rua do Samba, reunindo sambistas e coletivos culturais. Nathália observa que a presença de pessoas negras, de diversas idades e áreas da cidade, está crescendo: “Temos visto muitos frequentadores mais velhos que voltam aos eventos e se sentem bem acolhidos aqui”.

O festival, que já completa oito meses de realização, tem se mostrado uma maneira de reverter a homogeneidade social. Nathália observa: “O público tem se diversificado continuamente”.

Antes da Rua do Samba, o Largo da Banana já reconhecia a Barra Funda como um ponto importante para o samba da cidade. Ali, no final do século 19, estivadores negros se reuniam para tocar e cantar o que se tornaria o samba. A construção de um viaduto na década de 50 fez com que o lugar de memória restasse apenas uma placa.

O manifesto do projeto Cartografias de Bambas, intitulado Rua do Samba da Barra Funda, reforça que a memória é também uma questão de política pública, e que a Rua do Samba deve ser encarada como um “patrimônio vivo, um espaço de lembrança e um cruzamento de futuros”.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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