O engajamento nas redes sociais tem contribuído significativamente para despertar o interesse pela leitura. Essa é a visão expressa pela escritora Carla Madeira, autora de obras consagradas como Quando e Véspera, durante sua participação na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) em Salvador, evento realizado no último sábado (8).
Com mais de um milhão de cópias de seus livros vendidos, Carla se apresentou diante de um vasto público no Largo do Pelourinho, ressaltando como essa nova dinâmica tem permitido aos leitores interagir sobre as obras que consomem.
Literatura e Redes Sociais
A escritora destacou que, ao falar sobre livros nas plataformas digitais, os brasileiros estão ampliando suas conversas literárias. Isso inclui desde críticas e elogios até a troca de opiniões, aprofundando a vivência em torno da leitura.
“Estamos vendo as pessoas se engajarem em diálogos sobre suas leituras, o que é incrível, pois enriquece a experiência de leitura e a consciência crítica”, afirmou Madeira.
De acordo com ela, a proliferação de clubes de leitura e eventos literários tem contribuído para um crescimento saudável no hábito de ler, uma situação festiva que também é impulsionada pelas interações nas redes sociais.
Apesar do aumento na popularidade da leitura, Carla Madeira observou que, em termos gerais, a população brasileira não lê o suficiente. Com 220 milhões de habitantes, os dados mostram que ainda há um longo caminho a percorrer.
“Ao confrontar essas informações com a demografia do nosso país, é visível que há um déficit significativo. Diversos fatores influenciam esse cenário, como a qualidade da educação e o acesso aos livros”, compartilhou.
A Importância das Políticas Públicas
Conversando com a Agência Brasil, Madeira reafirmou a necessidade de implementar políticas que incentivem o acesso à leitura. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, 47% da população acima de 5 anos se declarou leitora, totalizando cerca de 93,4 milhões de pessoas. Contudo, 53% não leram nem mesmo um capítulo de um livro nos últimos três meses.
“É importante lembrar que muitos não têm as mesmas facilidades de acesso que outros. Questões sociais como moradia e infraestrutura têm um papel crucial nesse acesso,” destacou a autora.
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Um Novo Desafio Literário
Durante o evento, Carla também revelou que seu próximo livro Quando será lançado ainda neste mês. A narrativa gira em torno de uma mãe que denuncia seu próprio filho e foi escrita em um momento de dor pessoal, com a autora enfrentando lutos seguidos.
“O processo de escrita foi um caos, mas a necessidade de dar voz a essa história surgiu como um reflexo das minhas experiências emocionais e das novas linguagens que busquei”, contou a escritora.
“A trama se concentra em uma mãe à beira da morte, ansiosa por reencontrar um filho após 20 anos. O pano de fundo é o Brasil dos anos 1980, quando o país lutava por reestabelecer sua democracia.”
Carla Madeira enfatiza como a maternidade é um tema recorrente em suas obras, revelando sua relação complexa com as experiências familiares.
“A maternidade é uma presença constante em meus romances, representando o primeiro contato que temos com o mundo e as influências que moldam nossas visões de vida.”
A décima edição da Flipelô aconteceu de 5 a 8 de agosto. Para mais informações, clique aqui e saiba mais sobre o festival.
Fonte: Agência Brasil/EBC






