A relação dos jovens com a internet revela um cenário complexo, conforme uma pesquisa realizada com mais de 500 participantes entre 13 e 18 anos. Mais da metade dos entrevistados (50%) admitem que dedicam tempo excessivo à navegação online, embora 63% se sintam felizes ao se conectar.
Divulgado no Dia Nacional da Juventude, o levantamento intitulado “Adolescência Sem Filtro” revelou que 71% dos jovens defendem a permanência da internet, desde que ocorram melhorias, enquanto apenas 9% consideram que ela deveria ser retirada.
Implicações e Retos
De acordo com Gabriela Barbosa, especialista em Comunicação do Instituto Alana, os dados demonstram que os adolescentes têm um entendimento aguçado das problemáticas associadas à internet e percebem a urgência de reformular esse espaço digital.
Embora a grande maioria (71%) utilize a internet para entretenimento, 63% expressam satisfação e 55% revelam curiosidade nesse meio, eles também estão cientes das desvantagens que podem surgir.
Quase 49% afirmam que as plataformas sociais desempenham um papel crucial na criação de uma internet mais positiva, enquanto 43% solicitam maior supervisão sobre o conteúdo oferecido.
A pesquisa assinala que os jovens entendem que o ambiente digital foi projetado para captar sua atenção por mais tempo do que o desejável, evidenciando a necessidade de defesa contra conteúdos prejudiciais.
Estudos anteriores indicam que 44% dos participantes bloqueiam contas ou conteúdos classificados como nocivos, e 32% fazem pausas ao longo do dia. Contudo, mais de 50% afirmam passar mais tempo online do que gostariam, com 41% reconhecendo uma dependência crescente do celular e 39% admitindo que a navegação afetou seu desempenho acadêmico.
“O tempo que os jovens passam online é uma preocupação significativa. Eles demonstram consciência sobre as dualidades da internet, bem como a necessidade de se proteger e gerenciar esse tempo de maneira eficaz”, destacou Gabriela.
Interação através das Redes
As redes sociais se destacam como o uso mais frequente da internet entre os jovens: 46% acessam essas plataformas diariamente, 37% utilizam para conversas com amigos e familiares, 30% dedicam-se a jogos, 23% para estudos e 21% para assistir a vídeos.
“As redes sociais são a principal janela pela qual eles experienciam a internet. Aplicativos como Instagram e TikTok são frequentemente mencionados como ambientes que ajudam a mitigar o tédio”, observa o Instituto.
Esses serviços, embora com suas problemáticas, também oferecem espaços de pertencimento, informação e aprendizado, não sendo justificados apenas sob uma perspectiva negativa.
Os meninos se destacam no uso de jogos, com 66% acessando para essa finalidade, enquanto as meninas predominantemente usam para se comunicar (64%) e estudar (60%).
Perspectivas Inclusivas
O estudo, conduzido por oito adolescentes entre 13 a 18 anos, teve o propósito de escutar os jovens sem a interferência de adultocentrismos, o que permitiu maior conforto durante as entrevistas.
Gabriela explica que a escolha de jovens pesquisadores proporciona uma visão mais alinhada com o cotidiano dos entrevistados, criando uma conexão mais autêntica. Nesse sentido, 19% dos adolescentes manifestam a crença de que podem contribuir para mudanças positivas na internet.
“Embora seja um número pequeno, ele sugere uma oportunidade para amplificar a voz jovem nas discussões sobre a internet”, afirma Gabriela Barbosa.
Os jovens demonstram também disposição para receber apoio na gestão da dependência da internet, com 69% reconhecendo a necessidade de ajuda.
Prêmio Criativos 2026
Em resposta à disposição de 19% dos entrevistados em contribuir para melhorias na internet, o Instituto Alana lança a nona edição do Prêmio Criativos, cujo tema em 2026 é “A internet é nossa”.
Esta iniciativa visa mobilizar crianças e adolescentes em todo o país para transformar suas experiências virtuais em projetos que busquem tornar a internet um espaço mais seguro, inclusivo e divertido. Podem participar estudantes do ensino fundamental II e médio, com idades variando entre 10 e 18 anos.
As inscrições se encerram em 2 de setembro, com a divulgação dos resultados prevista para dezembro.
A edição deste ano introduz uma nova categoria para trabalhos audiovisuais, permitindo inscrições de vídeos e podcasts, além das categorias tradicionais que incluem campanhas, jogos, aplicativos e outras produções criativas. Independentemente do formato, os adolescentes têm a oportunidade de abordar questões pertinentes ao seu cotidiano.
Os temas sugeridos abrangem desde tempo de tela, segurança digital, saúde mental, inteligência artificial até combate à desinformação e a promoção da expressão dos jovens na esfera digital.
Fonte: Agência Brasil/EBC








