A dívida pública dos Estados Unidos atingiu níveis alarmantes ao ultrapassar a marca de US$ 40 trilhões, um marco inédito que levanta sérias preocupações econômicas. Este cenário é amplamente atribuído à diminuição de impostos para os mais ricos, à inflação resultante do conflito no Oriente Médio — que eleva os preços dos combustíveis — e às tarifas de importação impostas pela administração de Donald Trump.
A análise foi feita por economistas ouvidos pela Agência Brasil, que não apenas mencionaram esses fatores, mas também destacaram a manutenção de gastos militares em cerca de US$ 1 trilhão e um aumento significativo nas despesas com juros da dívida, que alcançaram US$ 1,1 trilhão, mais do que o dobro registrado em 2021, quando esse gasto foi de US$ 419 bilhões.
Impulsos para a dívida
Entre os fatores que têm pressionado o aumento da dívida estão não só a inflação decorrente da guerra, mas também o “risco Trump”, que gera incertezas no mercado devido à política agressiva da Casa Branca, como observado no recente conflito tarifário com o Canadá. Isso, segundo os especialistas, tem também contribuído para a pressão sobre os juros dos títulos do Tesouro americano.
Embora a marca de US$ 40 trilhões seja impressionante e tenha dobrado desde 2017, os analistas garantem que isso não revela um risco iminente de insolvência para os EUA. Contudo, eles alertam que a situação fiscal do país pode influenciar as taxas de juros globalmente, impactando na economia de nações como o Brasil.
Perspectivas sobre solvência
O professor de economia da Unicamp, Pedro Paulo Zahluth Bastos, enfatizou que o montante da dívida não é suficiente para implicar um risco de insolvência, principalmente porque os Estados Unidos têm a capacidade de emitir sua própria moeda e mantêm o dólar como a principal reserva monetária mundial.
“Um governo que emite sua própria moeda não enfrenta quebra facilmente. Se o mercado rejeitar esses títulos ao preço atual, o Federal Reserve pode adquirir esses títulos para garantir a estabilidade”, afirmou ele, em referência às ações do banco central durante crises anteriores.
Em resposta ao aumento recorde da dívida, a Secretaria do Tesouro dos EUA anunciou a intensificação das operações de compra de títulos, que passarão de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões a partir de 9 de setembro.
O economista Pedro Faria ressaltou que o valor de US$ 40 trilhões, por si só, não fornece uma visão precisa sobre a habilidade dos Estados Unidos de honrar suas obrigações financeiras, particularmente em um cenário onde as economias desenvolvidas apresentam déficits há anos.
Aumento dos juros
Os títulos do Tesouro dos EUA são tradicionalmente vistos como o ativo mais seguro no mundo, e ainda não se verifica desconfiança significativa do mercado em relação à capacidade de pagamento do governo americano. “Os investidores continuam adquirindo títulos, embora o preço tenha subido, refletindo a insegurança em relação à política econômica e ao cenário geopolítico”, concluiu o professor Bastos.
Entretanto, os altos juros nos títulos de longo prazo estão se tornando uma preocupação relevante. O aumento significativo no rendimento, que atingiu 5,33% em 18 de agosto — o maior patamar desde 2007 —, está pressionando os gastos com a dívida nacional.
Os riscos associados à dívida americana são, muitas vezes, de natureza política, principalmente em momentos de impasse no Congresso sobre o aumento do teto da dívida.
Durante os primeiros cinco meses do ano, a dívida cresceu impressionantes US$ 1 trilhão, superando as previsões, e embora haja temores, a maioria dos analistas não prevê um colapso iminente devido à estrutura única do sistema econômico dos EUA.
A política de redução de impostos para os ricos, implementada durante os mandatos de Trump, também desempenhou um papel crucial na ampliação do déficit, causando uma queda nas receitas do governo.
O professor Bastos complementou que essa má distribuição de renda e a redução na arrecadação são fatores que perpetuam a crescente dívida do país.
O dilema da política fiscal
De acordo com Faria, uma preocupação crescente diz respeito à movimentação de governos em todo o mundo, que estão abandonando títulos americanos como reservas, devido a temores relacionados à instabilidade política dos EUA e à possibilidade de sanções. Essa mudança no comportamento do mercado financeiro pode ser prejudicial a longo prazo.
As pressões inflacionárias, principalmente devido a altos preços do petróleo e tarifas, são frequentemente apontadas como fatores que estão contribuindo para a elevação dos juros e a complexidade da dívida.
As considerações sobre como a política governamental pode afetar a sustentabilidade da dívida pública são fundamentais para entender a situação financeira dos EUA atualmente.
Fonte: Agência Brasil/EBC








