O saldo da caderneta de poupança viu uma redução significativa em agosto, resultando em um saldo negativo de R$ 10,5 bilhões devido a uma maior quantidade de saques em detrimento dos depósitos. Esse dado impactante foi divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira (10).
No último mês, o total de depósitos atingiu R$ 357,7 bilhões, enquanto as retiradas somaram R$ 368,2 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas durante esse período totalizaram R$ 6,5 bilhões. Atualmente, o saldo total da poupança é superior a R$ 1 trilhão.
O que vem a seguir?
- Em julho, saques ultrapassaram depósitos em R$ 7,15 bilhões.
- Semestre marca R$ 39,3 bilhões em saques líquidos na poupança.
- Entradas líquidas de R$ 2,6 bilhões foram registradas em maio.
Este é o terceiro mês consecutivo em que a poupança registra saques líquidas negativas. Apenas em maio deste ano houve um aumento nos depósitos. Nos últimos anos, tem sido comum observar um padrão de saques superiores aos depósitos. Nos anos de 2023 e 2024, as retiradas líquidas foram de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente, enquanto no ano anterior o saldo negativo foi de R$ 85,6 bilhões.
Até agora, em 2026, a poupança acumulou R$ 57,1 bilhões em saques líquidos. A alta da Selic, taxa básica de juros, que atualmente está em 14% ao ano, contribui para essa tendência, já que investidores buscam alternativas com rendimentos mais vantajosos.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic atingiu 15% ao ano, o que representa o maior índice em quase duas décadas. Embora o Copom tenha reduzido a taxa recentemente, a situação no Oriente Médio, que impactou o preço de combustíveis e alimentos, cria obstáculos para a continuidade dessa tendência de queda.
A Selic serve como uma ferramenta essencial do Banco Central para assegurar que a meta de 3% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) seja atingida. O aumento dos juros tem como objetivo conter uma demanda elevada, o que acaba por refletir nos preços ao elevar os custos do crédito e estimular a poupança.
Durante julho, a queda no preço dos alimentos ajudou a diminuir a inflação oficial para 0,07% pelo quarto mês consecutivo, conforme o relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O acumulado do IPCA nos últimos 12 meses ficou em 4,44%, reafirmando a conformidade com a meta.
A divulgação da inflação referente a agosto está programada para a próxima sexta-feira (11).
Fonte: Agência Brasil/EBC








