Seu papel na sociedade é moldado pelo medo da violência, afetando a vida cotidiana e as escolhas de praticamente todas as mulheres no Brasil, segundo uma pesquisa recente. A insegurança leva 98% das brasileiras a implementar estratégias para minimizar os riscos de agressão no dia a dia, alterando comportamentos e restringindo opções de lazer, mobilidade, emprego e estudos.
Os dados emergem da investigação “Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência”, elaborada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, que será discutida em um painel sobre (in)segurança e mobilidade das mulheres, nesta quarta-feira (16), durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Percepção da violência no cotidiano
Os resultados demonstram que 78% das mulheres relataram ter vivenciado algum tipo de violência. Quase todas as participantes da pesquisa adotam ações protetivas em resposta à insegurança. Notavelmente, 94% das mulheres se sentem ameaçadas diante da violência, uma taxa significativamente superior à de 84% entre os homens durante seus deslocamentos.
“O medo da violência molda a experiência feminina nas cidades, fundamentado em vivências de agressão, sejam pessoais ou compartilhadas por outras mulheres”, comentou a diretora de Pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê.
As mulheres enunciam que o receio de agressões em ambientes públicos é extremo, já que 41% não se sentem seguras em bares, festas ou similares, e 42% se sentem igualmente vulneráveis em pontos de ônibus e estações. Dentro dos transportes públicos, essa percepção de insegurança atinge 33%. A insegurança permeia profundamente as atividades e acessos diários.
Caminhos alterados pela insegurança
O medo afeta fortemente a rotina das mulheres. Citatando práticas para contornar a situação, 90% escolhem evitar lugares específicos, enquanto 88% limitam a divulgação de dados pessoais nas redes sociais, evidenciando uma vigilância constante incorporada ao seu cotidiano. Outras estratégias incluem o abandono de aplicativos bancários nas ruas (80%) e adaptações no uso de transporte, sendo 66% que optam por viagens de carro ou moto por aplicativo.
Práticas de defesa pessoal são mais comuns, com 27% das mulheres se comprometendo em treinar tais habilidades. A pesquisa indica que 45% renunciaram a oportunidades profissionais ou educacionais devido ao medo, e 44% já consideraram a possibilidade de mudar de bairro ou cidade por razão de segurança.
“Os resultados reforçam que a insegurança é uma constante que transforma a rotina das mulheres em uma série de adaptações e recuos em seus direitos fundamentais”, destacou Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.
Responsabilidade compartilhada na prevenção
As entrevistadas acreditam que a solução para a violência deve envolver o esforço conjunto de várias instituições. A pesquisa aponta que 73% das mulheres veem a polícia como principal responsável pela segurança, enquanto 69% citam o governo federal e estadual.
Entretanto, a avaliação sobre a efetividade das instituições é amplamente negativa. O Legislativo obteve 74% de avaliação desfavorável, seguido por 72% para o governo estadual. Para 78% das mulheres, as políticas de combate à violência nas próximas eleições são cruciais para decidir seu voto.
Com alta porcentagem, 95% das entrevistadas expressam a necessidade de canais de apoio e denúncia, enquanto 93% enfatizam a importância de melhorias no transporte público e na iluminação dos espaços públicos. Tal transformação é vista como vital para a criação de um ambiente seguro.
Além disso, 92% das participantes indicam que combater desigualdades sociais e econômicas é fundamental na luta contra a violência.
Fonte: Agência Brasil/EBC








