Uma nova ordem de prisão foi emitida contra Marcelo Lopes da Silva, ex-procurador-geral do Instituto Rio Metrópole (IRM), pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), em consonância com a Operação Ouroboros.
A prisão preventiva foi solicitada pela 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital após a分析 de um celular do acusado, que trouxe à tona indícios adicionais envolvendo corrupção e lavagem de dinheiro. Inicialmente, Lopes havia sido detido durante a primeira fase da operação, mas a Justiça revogou a decisão após um habeas corpus favorável.
Desenvolvimentos na Investigação
Durante a investigação, ficou evidenciado que Marcelo teria aconselhado sua companheira, Thays Pinho Carneiro da Silva, a criar um microempreendimento individual (MEI) com o intuito de ser contratada pela Engeconsult, uma empresa que mantinha contratos vultuosos com o IRM. Esses contratos, segundo a acusação, dependiam da análise que era feita pela Procuradoria, na qual Lopes estava à frente. O valor do contrato estipulava um pagamento de R$ 30 mil em seis parcelas, camuflando assim o pagamento de uma vantagem indevida ao servidor.
Mensagens recuperadas de seu celular indicam que Lopes exigia que as conversas relacionadas aos negócios não fossem documentadas. Curiosamente, o contrato com a Engeconsult foi assinado no mesmo dia em que a empresa foi formalmente constituída, e apresenta uma data anterior à criação do MEI. Os repasses financeiros, por sua vez, eram direcionados a uma conta de Thays.
A análise do celular também revelou diálogos onde Lopes aparecia tentando agilizar pareceres favoráveis ao grupo, bem como evitando que certos assuntos fossem encaminhados a órgãos reguladores externos. Em uma das mensagens, ele foi explícito ao dizer: “Melhor matar aqui no IRM e arquivar logo o caso”.
Após sua saída do IRM em 8 de junho deste ano, Marcelo teria continuado sua colaboração com o grupo criminoso. Apenas uma semana após o desligamento, ele respondeu a um pedido para emitir um novo parecer: “Deixa comigo”, indicando que sua influência ainda persistia mesmo após deixar o cargo.
Com as novas evidências apresentadas, o MPRJ revisou a denúncia contra Lopes, incluindo agora seis crimes de corrupção passiva e seis adicionais de lavagem de dinheiro. O representante da Engeconsult, Hélio Augusto Machado Pessôa, também foi incluído na acusação, sendo responsabilizado por seis novas infrações de lavagem de dinheiro. O aditamento foi aceito pela Justiça.
Contexto da Operação Ouroboros
A primeira fase da Operação Ouroboros, iniciada em julho, resultou em acusação contra 11 indivíduos em um esquema de desvio de recursos financeiros do IRM, que movimentou cerca de R$ 86,28 milhões. De acordo com a denúncia, os pagamentos feitos pelo IRM à Engeconsult e à R. Peotta Engenharia eram redirecionados ao Instituto BIO, uma entidade sem a estrutura necessária para a execução dos serviços pretendidos, sendo esses valores sacados em espécie posteriormente.
A investigação teve início após a apreensão, em janeiro, de R$ 500 mil em espécie que estavam sendo transportados sob proteção armada. O levantamento apontou 28 transferências das empresas para o Instituto BIO, totalizando R$ 3,29 milhões, além de 13 saques que somaram R$ 3,02 milhões entre maio de 2025 e janeiro de 2026.
Fonte: Agência Brasil/EBC








