O extenso programa de governo do candidato Augusto Cury (Avante) reúne 18 projetos e 20 teses. Entre as propostas destacam-se a introdução de um regime semipresidencialista, a definição de mandatos de oito anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a implementação de uma nova diplomacia econômica. Este documento abrangente, com aproximadamente 200 páginas, pode ser acessado no website do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Agência Brasil inicia hoje (17) a publicação dos planos de governo dos candidatos à Presidência nas próximas eleições, liberando as informações em ordem alfabética. Nesta quinta-feira (17), estão previstas as divulgações dos programas de Augusto Cury, Clariana Barão e Edmilson Costa.
Educação, inclusão social e empoderamento feminino
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O plano de Augusto Cury prioriza a educação em tempo integral como um dos focos centrais. A proposta busca criar ambientes escolares que incentivem debates, atividades artísticas, esportivas e sociais, além de reformular o ensino médio para incluir formação acadêmica, humana e profissionalizante, transformando universidades em polos de inovação e desenvolvimento de patentes.
O eixo denominado Brasil Neuroinclusivo propõe uma política pública contínua para acolher pessoas com autismo, TDAH, dislexia e outras habilidades especiais. O objetivo é estreitar a colaboração entre escolas e famílias, além de elaborar um Plano de Inclusão para cada unidade escolar, culminando na criação de um Mapa Nacional da Neurodiversidade.
A proposta Mulheres Vivas sugere a implementação de uma política nacional integrada contra o feminicídio e de proteção às mulheres. O texto inclui a introdução de botões de alerta e monitoramento para agressores, priorizando o acesso a programas de capacitação e empreendedorismo para vítimas de violência, enquanto propõe a eliminação de taxas elevadas no crédito direcionado a mulheres, além de indicar mulheres ao STF.
Desenvolvimento econômico, empreendedorismo e moradia
O programa sugere a criação do Ministério do Empreendedorismo e da Economia Distribuída, com o intuito de descentralizar a produção em microempresas. Adicionalmente, propõe a formação de 10 mil clubes de empreendedorismo e uma rede de escolas voltadas para essa área. Inclui ainda a criação do Banco do Empreendedor, que oferece crédito de até R$ 20 mil a juros reduzidos, especialmente para beneficiários do Bolsa Família.
No contexto das favelas, Cury planeja legalizar 5 milhões de moradias em uma década sem deslocar os atuais habitantes, associando essa medida ao projeto Comunidade 4.0, que visa melhorias na infraestrutura urbana. Também está previsto o financiamento de 2 milhões de pequenos empreendedores com crédito variando de R$ 2 mil a R$ 20 mil, sem a necessidade de garantir o imóvel familiar.
Agronegócio, infraestruturas e agroindústria
O programa defende a implementação do Brasil Oásis, transformando o semiárido em uma região agrícola estratégica, com foco em segurança hídrica e agroexportação, utilizando tecnologias inspiradas em Israel, como irrigação de precisão. A meta é duplicar a produção de alimentos e aumentar em dez vezes as exportações de frutas em dez anos, além de fortalecer 3,9 milhões de estabelecimentos de agricultura familiar.
O projeto Brasil Empreendedor nas Estradas (BEE) pretende criar polos comerciais a cada 10 a 15 quilômetros nas rodovias, em parceria com o setor privado. Esses pontos contarão com energia solar, áreas de descanso, banheiros e cabines para redução de estresse, funcionando como microecossistemas que estimulem o turismo, a produção local e a agricultura familiar.
A proposta Agroindústria Brasil visa transformar o país em uma potência no setor, com o desenvolvimento de 10 mil agroindústrias no interior e a criação de 100 usinas de etanol de milho, focando na região Nordeste. Além disso, o plano contempla o uso de subprodutos do etanol para a produção e industrialização de proteína animal.
Cooperativismo e comércio internacional
A proposta Brasil Cooperativismo (BCOO) busca dobrar o número de cooperativas no Brasil e elevar o total de cooperados de 27 milhões para 54 milhões, englobando setores como bioenergia, tecnologia, saúde, habitação e educação, sob a supervisão da nova Autoridade Nacional do Cooperativismo (ANCOOP).
A iniciativa Brasil Exportador planeja a criação de zonas francas de exportação geridas pela Zona Nacional de Exportação (Zone) em cinco estados. Essas áreas serão focadas em setores emergentes, como inteligência artificial, robótica, semicondutores, energia limpa e drones.
Política internacional e relações exteriores
No âmbito internacional, o programa propõe a modernização das embaixadas brasileiras para “estruturas 4.0”, com enfoque em diplomacia econômica. A estratégia inclui realocar o corpo diplomático nos EUA e na Europa, visando fortalecer competências em mercados emergentes como Oriente Médio, Índia, China e outras nações asiáticas.
Adicionalmente, o plano sugere um esforço mundial para combater a fome, através da criação de um fundo internacional conectado ao comércio global e à indústria armamentista. A projeção é levantar entre US$ 177 bilhões e US$ 342 bilhões anualmente para a erradicação da fome.
Saúde e bem-estar da população
Na área de saúde, o projeto Tele Saúde Brasil busca construir a maior plataforma pública de medicina digital do mundo, para aliviar a carga sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é garantir atendimento em até 30 minutos para casos selecionados. Além disso, será implementada a iniciativa Sociedade Está Abraçando (SEA), que focará na prevenção e rastreamento contínuo de câncer, ampliando a presença de unidades móveis.
Meio ambiente e desenvolvimento sustentável
O plano Energias Renováveis do Brasil busca alcançar 90% de sustentabilidade na matriz energética até 2040, promovendo o uso de inteligência artificial e incentivando a produção de hidrogênio verde. Paralelamente, o projeto Petra BR tem como meta mapear minerais críticos e terras raras, estimulando a industrialização e o refino nacional.
Em relação ao meio ambiente, o programa Floresta Viva BR propõe combater incêndios utilizando IA e drones; o Programa Amazônia Viva investirá em saneamento, infraestrutura e conectividade; e o Banco Empreendedor Amazônico irá apoiar a bioeconomia, a pesca e o ecoturismo, remunerando as comunidades locais como guardiãs da floresta.
Segurança pública e proteção cidadã
Na segurança pública, o programa Segurança 4.0 propõe integrar os esforços das polícias estaduais e federais, criando a Força de Combate Municipal (Foco) para um sistema de dados unificado. A estratégia prioriza a luta contra o crime organizado, a proteção nas escolas com botões de emergência, o monitoramento inteligente de fronteiras e a valorização dos agentes de segurança.
Fonte: Agência Brasil/EBC








