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Home - Brasil

Análise revela que apostas online oneram o SUS em R$ 30,6 bilhões anuais

Editor by Editor
19 set 2026
in Brasil
Logo Agência Brasil
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Os danos gerados à saúde pública pelas apostas online impactam significativamente o Sistema Único de Saúde (SUS), totalizando impressionantes R$ 30,6 bilhões anualmente. Esses dados foram apresentados em uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS).

Esse montante inclui os custos relacionados ao tratamento de condições como depressão e ansiedade, além dos impactos associados a suicídios.

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Principais notícias do setor:

  • Prevenção ao suicídio: profissionais de saúde destacam riscos com apostas.
  • Apostas: quatro em dez mulheres participam ou participaram de apostas online.
  • Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas em 2025.

Apenas uma parcela de 1% dos rendimentos totais das casas de apostas é destinada ao Ministério da Saúde para auxiliar na mitigação desses efeitos.

Nos últimos cinco anos, as demandas de atendimento no SUS devido a vícios em apostas online aumentaram em 140%. Esse crescimento foi observado em toda a Rede de Atenção Psicossocial.

Marcelo Kimati, diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, afirmou que, para abrandar essa demanda, um serviço de teleatendimento foi inaugurado para atender aqueles com problemas ligados a jogos e apostas.

Brasília (DF), 16/09/2026 - Marcelo Kimati, Diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde. Foto: MS/Arquivo/Divulgação
Diretor de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati – Foto: MS/Arquivo/Divulgação

“Desde que criamos em fevereiro um sistema eletrônico para atendimento a jogadores compulsivos, 20 mil pessoas se cadastraram após realizarem um teste de avaliação.”

Devido a essa alta demanda, o número de teleatendimentos disponíveis foi elevado de 600 para uma capacidade de até 100 mil atendimentos mensais, em cooperação com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).

Um outro indicativo do problema crescente relacionado a apostas é a plataforma de autoexclusão, que já bloqueou mais de 5 milhões de CPFs de usuários em sites de apostas online registrados no governo federal.

Além de afetar beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), mais de 1 milhão de pessoas pediram autoexclusão, das quais quase metade manifestou problemas de saúde mental ligados a jogos.

Experiência de superação

O jovem vendedor Gustavo Pereira, de 24 anos, que mora em Lages, Santa Catarina, está há dois meses sem apostas, utilizando a ferramenta de autoexclusão para evitar recaídas. Ele começou a apostar online aos 18 anos e perdeu cerca de meio milhão de reais devido ao vício.

Gustavo reconhece a importância da autoexclusão: “Essa ferramenta foi essencial na minha recuperação. Ela me ajudou a reverter minha vida e recuperar minha autoestima. Agora, posso olhar nos olhos das pessoas novamente e me sinto como uma nova pessoa, diferente do que fui por conta do vício”.

Após deixar as apostas, ele começou a vender café nas ruas para iniciar uma nova trajetória. “É uma batalha diária contra o vício. Não me orgulho do que fiz, mas sou grato por poder ajudar outros com minha experiência”.

Santa Catarina - 17/09/2026 - Gustavo Pereira, que iniciou sua vida novo vendendo café após parar de apostar. Foto: Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal
Gustavo Pereira começou a vender café nas ruas de Lages, em Santa Catarina, para recomeçar a vida após deixar de apostar em bets – Foto: Gustavo Pereira/Arquivo Pessoal

Papel da família na recuperação

O suporte familiar é vital na luta contra a dependência de jogos, segundo Carla Xavier*, uma jogadora compulsiva de 41 anos. Ela é integrante de um grupo de apoio e conseguiu ficar mais de um ano sem jogar.

“Perdi o controle da minha vida. Queria sair do trabalho para jogar e desprezava tudo ao meu redor. O apoio da família foi crucial para minha recuperação,” relata.

“Ter uma família compreensiva torna a recuperação mais simples. Reconhecer que isso é uma doença é o primeiro passo”, completa.

A irmandade Jogadores Anônimos também apoia familiares de viciados através de um grupo denominado JOG-Anon.

“Oferecemos um espaço para os familiares, separado dos jogadores, permitindo que cada um receba o apoio necessário”, diz.

Brasília (DF), 14/09/2026 - Mariana Kehl, psicóloga e membro da Sociedade Brasileira de Psicologia. Foto: Mariana Kehl/Arquivo Pessoal
Psicóloga Mariana Kehl, membro da Sociedade Brasileira de Psicologia – Foto: Mariana Kehl/Arquivo Pessoal

A psicóloga Mariana Kehl opina que é fundamental que a família atue rapidamente ao perceber sinais de dependência, como isolamento e alterações de humor.

“É importante buscar ajuda adequada e não esperar. O preconceito muitas vezes silencia esse sofrimento”, conclui.

O psiquiatra Hewdy Lobo destaca que a falta de controle no uso do tempo de crianças e adolescentes em jogos pode contribuir para a formação de vícios.

Luana Mendes, especialista em direito digital, enfatiza que o comportamento, mais que o tempo em si, é o que determina se há dependência.

“Se a criança se torna inadequada em sua rotina, como em sua vida escolar ou social, é crucial que a família intervenha, buscando, se necessário, acompanhamento profissional”, adverte.

O tratamento pode incluir apoio psicológico, e, em alguns casos, medicação. Carla fala sobre como muitas pessoas só procuram ajuda após alcançarem um ponto crítico em suas vidas.

“A dependência revela seu grau mais severo apenas quando a pessoa já atingiu o fundo do poço”, finaliza.

Liberta do vício, Carla recuperou sua confiança e o desejo de ser produtiva novamente. “A vida me surpreendeu positivamente”, conclui.

Luiz Carlos, com 71 anos, é outro exemplo de sucesso: está livre das apostas há 15 anos, graças ao suporte de sua irmandade. “A aceitação que encontrei aqui mudou minha visão de mim e da vida”.

Rogério*, de 53 anos, alerta os viciados sobre a urgência em buscar suporte. “Muitas vezes é somente quando já estamos em um estado irrecuperável que percebemos a necessidade de ajuda”.

Os serviços de apoio estão acessíveis no SUS, com teleatendimentos psicológicos pelo portal Meu SUS Digital e atendimentos em unidades de saúde. Os atendimentos são sigilosos e possibilitam o suporte especializado, mesmo à distância.

Pessoas com dependência podem se unir a grupos como a irmandade Jogadores Anônimos, com reuniões presenciais ou online, ou contatar o Centro de Valorização da Vida (CVV) pelo site cvv.org.br ou pelo telefone 188.

+ Ouça também na Radioagência Nacional:

Dos games às apostas online: os impactos na saúde mental dos brasileiros

Como surgem os endividamentos nas apostas online

Leis que buscam mitigar os danos das apostas online

Como solicitar ajuda contra a dependência em apostas online

*Sobrenome omitido a pedido dos entrevistados.

Colaboração de Luciene Cruz

Fonte: Agência Brasil/EBC

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