Na última sexta-feira (18), Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, fez críticas ao líder norte-americano Donald Trump, que havia caracterizado organizações criminosas como terroristas e afirmado que o Brasil falha no combate a essas facções.
A contestação de Lula foi registrada durante um evento realizado no Rio de Janeiro, que contou com a presença de autoridades da segurança pública dos níveis federal, estadual e municipal.
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Lula acentuou que é essencial reaver áreas dominadas por traficantes na cidade.
“Estamos lutando contra o crime organizado. É inaceitável que se classifique facções como terroristas, como faz Trump”, declarou.
O presidente sugeriu ainda que a verdadeira noção de terrorismo deve incluir ações como a tentativa de golpe no Brasil, mencionando o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Isso era terrorismo de Estado, como quando Bolsonaro tramou um golpe em 8 de Janeiro, com planos para eliminar figuras públicas, incluindo eu e o vice-presidente Geraldo Alckmin”, frisou.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2023, recebendo penas que somam 27 anos e 3 meses de prisão, devido a diversos crimes, incluindo a conspiração para assassinar Lula e Alckmin.
Petróleo e Recursos Naturais
Lula também abordou a necessidade de reforço na segurança das regiões ricas em recursos, citando especialmente a área da margem equatorial e o pré-sal no Sudeste, onde há significativa exploração de petróleo.
“Precisamos manter o controle dessas áreas, especialmente agora que Trump está interessado em minerais e petróleo”, assegurou.
Recentemente, Trump mencionou em um relatório ao Congresso dos EUA que o governo brasileiro não tem conseguido lidar com facções como o PCC e o CV, que foram oficialmente reconhecidos como organizações terroristas no país norte-americano em maio último.
Colaboração entre Governos
No evento, foram apresentados convênios entre os governos federal, estadual e municipal, com foco em três áreas principais:
– Proteção dos corredores logísticos, com parcerias para combater a criminalidade e o roubo de cargas nas divisas do Sudeste e nas principais vias do Rio, incluindo a Avenida Brasil e o acesso ao Porto e Aeroporto Internacional.
– Política Estadual de Reocupação Territorial, visando reduzir o controle de facções e aumentar a presença do Estado em mercados criminosos.
– Capacitação das forças municipais em conjunto com a prefeitura, incluindo ações de elite da Guarda Municipal, focadas no armamento e formação de agentes especializados.
Os convênios foram firmados no início de setembro, com validade de 60 meses, e a parceria com a prefeitura começou em agosto de 2025, com duração de três anos.
Lula destacou que o Rio é um campo de prova para essa colaboração entre as esferas de governo, insinuando que o sucesso nesse estado poderá se expandir por todo o Brasil.
Independência no Combate ao Crime
O governador interino do Rio, Ricardo Couto, expressou a opinião de que as iniciativas em conjunto com o governo federal têm já proporcionado avanços significativos na apreensão de drogas, reafirmando a necessidade de autonomia no combate à criminalidade.
“O Brasil tem capacidade para avançar com suas próprias soluções de segurança. Não necessitamos de tutelas”, disse.
O prefeito Eduardo Cavaliere comentou que a prefeitura vem promovendo integrações como o compartilhamento de informações de inteligência e monitoramento de áreas urbanas através de sistemas de vídeo.
O encontro ocorreu no Complexo da PRF, que abriga a sede da Força Municipal e é uma área estratégica para a segurança e acesso aos municípios adjacentes.
“Eventos como o de hoje demonstram uma integração clara entre nossas forças, com impactos em toda a região metropolitana”, concluiu Cavaliere.
Fonte: Agência Brasil/EBC








