Como parte de uma ação controversa, os Estados Unidos revogaram o visto de 26 autoridades de diversos países latino-americanos, incluindo o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca. Essa decisão ocorre em meio a uma investigação contra Fernando Cerimedo, um argentino ligado a ex-assessores de presidentes simpatizantes de Donald Trump.
O procurador Mariaca está envolvido na apuração de acusações sérias contra Cerimedo, que inclui uma suposta tentativa de feminicídio e investigações sobre tráfico de drogas. Cerimedo tem um histórico de trabalho digital para apoiadores de líderes de direita na região.
Implicações da Decisão
A medida dos Estados Unidos, conforme afirmado por Mariaca, representa uma afronta à soberania boliviana. Ele apontou a investigação sobre Cerimedo, que provoca repercussões em diferentes esferas políticas, como uma das razões para sua resistência às ações americanas.
“Essas investigações têm dimensões que vão além do nosso território. O caso Cerimedo, por exemplo, suscita várias preocupações,” ponderou Mariaca.
O procurador-geral, eleito em 2024, reitera que não cederá a pressões internacionais que possam interferir nas investigações necessárias.
Relatos da polícia boliviana descrevem Cerimedo como responsável por conduzir uma rede digital associada a atividades ilícitas, incluindo a utilização de uma “fazenda de cliques” para manipular a opinião pública nas mídias sociais.
A Resposta dos EUA
O Departamento de Estado americano, sob a direção de Marco Rubio, explicou que o cancelamento de vistos proposto visa proteger governos democraticamente eleitos contra corrupção e narcotráfico, uma preocupação levantada em diversas esferas políticas.
Entre as figuras afetadas pela nova política estão não só políticos, mas também empresários e familiares, todos sob alegações de corrupção ou envolvimento com narcotráfico, sem provas concretas.
O comunicado do Departamento ainda alegou que Mariaca foi punido devido a sua suposta participação em corrupção significativa e que sua influência facilitou o narcotráfico na Bolívia.
“Mariaca utilizou seu cargo para solicitar e aceitar subornos relacionados ao narcotráfico,” acusou o governo dos EUA, mas não forneceu evidências.
Por sua vez, o procurador Mariaca reafirmou que não permitirá que decisões externas influenciem o trabalho das autoridades bolivianas.
“O povo boliviano merece ter acesso à verdade sobre as denúncias feitas, incluindo aquelas sobre potenciais corrupções ligadas a combustíveis,” disse ele.
Reação do Governo Boliviano
O governo de Rodrigo Paz pretende buscar esclarecimentos do governo americano sobre as acusações antes de abrir uma investigação interna, seguindo a seriedade do tema.
O ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, classificou as alegações como graves e dignas de consideração.
A resposta oficial da presidência boliviana considera a decisão dos EUA como uma interferência em suas assuntos internos, e o governo local se comprometeu a colaborar com investigações para garantir a institucionalidade.
Uma Controvérsia em Ascensão
Em fevereiro de 2026, Fernando Cerimedo foi reconhecido como “consultor político hispânico do ano” em uma cerimônia na propriedade de Donald Trump na Flórida, recebendo o prêmio do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que tem um passado controverso com a justiça.
O envolvimento de Cerimedo em um caso de tentativa de feminicídio contra a ativista boliviana Nadia Beller, que alega que ele é o mandante da ação, também gerou polêmica. A defesa de Cerimedo nega as acusações, classificando-as como parte de uma armação política.
Fonte: Agência Brasil/EBC







