Dados preocupantes foram divulgados pela FIFA, revelando que durante a Copa do Mundo de 2023, dos mais de 17 milhões de postagens analisadas nas redes sociais, aproximadamente 240 mil continham conteúdos ofensivos, dos quais 20% eram de cunho racista. As informações foram apresentadas nesta sexta-feira (9), véspera do Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado amanhã (10).
A pesquisa, que abrangeu o período de 9 de junho a 20 de julho, analisou redes sociais como X (antigo Twitter), Instagram, Facebook e TikTok. O estudo considerou a atividade de contas oficiais de todas as 48 seleções concorrentes, além de 1.606 perfis, incluindo 1.248 jogadores, 188 treinadores e membros da comissão técnica, e 170 árbitros.
Dados adicionais sobre ofensas
Segundo o levantamento, as 240.676 postagens ofensivas tinham como alvo 812 pessoas ao longo do torneio realizado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, o que representa que 50,6% dos participantes enfrentaram algum tipo de ataque. Essas postagens foram parte das 477.217 que passaram por uma revisão humana após serem identificadas pela tecnologia de proteção da FIFA.
O sistema da entidade possui uma ferramenta automática que oculta mensagens prejudiciais para proteger os envolvidos nas competições. De acordo com a FIFA, durante o torneio, 60,7 milhões de mensagens foram compartilhadas nas plataformas oficiais, resultando no bloqueio de cerca de 9,2 milhões de conteúdos (15%) antes que pudessem ser visualizados pelo público.
O monitoramento revelou que um atleta, cuja identidade não foi divulgada, recebeu mais de 10 mil mensagens abusivas, das quais 40% eram racistas. Além disso, o jogador também sofreu ofensas relacionadas à homofobia, sexismo e transfobia, sendo que os ataques a ele aumentaram significativamente após declarações racistas de uma figura pública.
Durante a Copa, a senadora paraguaia Celeste Amarilla fez comentários desrespeitosos sobre o atacante Kylian Mbappé, chamando-o de “colonizado” e” feio”, insinuando que ele não era legítimo francês, apesar de sua nacionalidade.
O levantamento também indicou que 15% das mensagens revisadas faziam acusações de corrupção, em sua maioria contra a própria FIFA, enquanto 14% continham ameaças violentas, com um aumento após a derrota do Brasil para a Noruega nas oitavas de final. Adicionalmente, 12% das postagens apresentaram xenofobia.
Conforme aponta o estudo, a seleção francesa foi considerada a mais afetada por ataques, com 33% de conteúdo racista direcionado a ela. No caso da Inglaterra, ofensas racistas e xenofóbicas combinadas totalizaram 21%, refletindo as críticas à diversidade étnica em ambas as equipes.
“No Dia Mundial da Saúde Mental, reafirmamos nosso compromisso em proteger a comunidade do futebol contra mensagens de ódio nas redes sociais, usando tecnologia avançada para combater conteúdos prejudiciais, sejam eles criados por usuários, sejam gerados por inteligência artificial”, afirmou o presidente da FIFA, Gianni Infantino, em comunicado.
Fonte: Agência Brasil/EBC







