O impacto das queimadas no ar no Amazonas trouxe à tona consequências alarmantes para a saúde, com ênfase nas comunidades indígenas, que já enfrentam barreiras significativas para acessar serviços de saúde essenciais.
Essas constatações fazem parte de um estudo conduzido por cientistas do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, que compila informações sobre a poluição do ar, incluindo a quantidade de poluentes e os pontos de incêndio no estado.
Resultados do Estudo
Conforme os dados, a exposição à fumaça proveniente das queimadas tem potencial de prejudicar severamente a saúde das populações, especialmente em áreas mais vulneráveis. As informações analisadas incluem os níveis de partículas finas (PM2.5), que têm mostrado concentrações alarmantes, superando os limites definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Nos primeiros dias de outubro de 2023, por exemplo, Manaus experienciou níveis críticos de poluição atmosférica, com índices de PM2.5 que fogem aos padrões segurança da OMS.
Essas partículas são nocivas, pois podem penetrar profundamente nos pulmões e, em condições adversas, entrar na circulação sanguínea, aumentando os riscos de doenças respiratórias e cardiovasculares.
O impacto desses poluentes se torna mais preocupante para grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e portadores de doenças pré-existentes.
Desigualdades e Desafios nas Comunidades Indígenas
Dentro das comunidades indígenas, a situação se agrava devido a desigualdades socioambientais e as dificuldades de mobilidade, que dificultam ainda mais o acesso a serviços de saúde, incluindo aqueles que demandam um maior nível de especialização.
O estudo da Fiocruz também inclui análises sobre como as variações climáticas, especialmente devido ao fenômeno El Niño previsto para 2026 e 2027, podem intensificar as condições propícias para queimadas, exigindo vigilância constante sobre o ambiente e seus efeitos na saúde.
Iniciativas de Monitoramento da Qualidade do Ar
Um dos focos do estudo é a criação do Sistema AlertAr Saúde, uma ferramenta que visa monitorar a qualidade do ar e suas implicações para a saúde das comunidades indígenas. Este sistema está sendo desenvolvido pelo Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, em colaboração com a Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde.
Essa plataforma servirá para integrar dados sobre a concentração de PM2.5 e a localização de focos de calor, permitindo assim que as comunidades sejam informadas sobre períodos de maior risco, otimizando as ações de prevenção e resposta por parte das equipes de saúde responsáveis.
Fonte: Agência Brasil/EBC








