O linfoma não Hodgkin, especificamente o tipo B, foi a causa da morte do cantor Netinho na terça-feira, 13 de outubro. Esta forma de câncer, que se origina no sistema linfático, afeta coisas como vasos sanguíneos, gânglios e órgãos, incluindo baço e amígdalas — componentes fundamentais para as defesas do corpo.
Esse sistema é responsável por coletar e redirecionar um fluido claro, conhecido como linfa, que possui células de defesa, os linfócitos. Esses glóbulos brancos têm um papel essencial no sistema imunológico, protegendo o organismo contra infecções.
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Os linfócitos, que desempenham o papel de defensores do organismo, residem nos gânglios linfáticos, localizados em áreas como pescoço, axilas e virilhas. No linfoma não Hodgkin, ocorre uma mutação nessas células de defesa, resultando em um acúmulo desregulado nos linfonodos e em outros órgãos.
Nos casos em que os linfócitos afetados são do tipo B, estabelece-se um diagnóstico de linfoma não Hodgkin, que ocorre em 85% das ocorrências. Existem também linfomas de células T e NK, menos frequentes.
A hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do Hospital A.C. Camargo Cancer Center, destaca que, no caso de Netinho, o linfoma não Hodgkin era bastante raro, configurando-se como um linfoma plasmoblástico, mais comum em pessoas com sistema imunológico comprometido.
Segundo ela, “Esse tipo específico é mais agressivo e apresenta maior dificuldade no tratamento. As chances de cura para este linfoma são menores em relação a outros tipos mais conhecidos de linfoma não Hodgkin.”
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta que, em 2023, o Brasil terá aproximadamente 10.180 novos casos de linfomas não Hodgkin, sendo 5.370 em homens e 4.810 em mulheres.
Sintomas
Os sintomas do linfoma variam, mas podem incluir aumento dos gânglios, febre, sudorese noturna intensa, perda de peso inexplicável e fadiga. Outros sinais podem ser erupções cutâneas, náuseas, vômitos, dor abdominal, coceira, tosse, cefaleia e dificuldade de concentração.
Conforme ressalta o AC Camargo Cancer Center, “As formas mais agressivas do linfoma não Hodgkin podem causar dores no pescoço, nos braços ou abdômen, dificultar a respiração, e provocar fraqueza nos membros, além de confusão mental.”
Fatores de Risco
Ainda que as causas exatas do linfoma não Hodgkin sejam desconhecidas, existem diversos fatores de risco associados, como idade, sexo, imunossupressão, certas doenças autoimunes, exposição à radiação e a substâncias tóxicas.
Além disso, a exposição a infecções virais e bacterianas, como o vírus Epstein-Barr, HIV, HTLV, bem como a bactéria Helicobacter pylori, também são relevantes.
Diagnóstico
O diagnóstico do linfoma não Hodgkin é realizado através de diversos exames, incluindo biópsia de linfonodos, punção de medula óssea, raios-X, tomografias, ressonâncias magnéticas e exames PET-CT.
A avaliação do estágio da doença é crucial, pois determina a extensão do linfoma e se há comprometimento de outros órgãos. A classificação vai de I a IV, onde a letra E indica que o linfoma foi encontrado fora do sistema linfático, e a letra S significa que a doença alcançou o baço.
No estágio I, a doença se limita a uma única área, enquanto no estágio II afeta gânglios no mesmo lado do diafragma. No estágio III, envolve áreas acima e abaixo do diafragma, e no estágio IV, o câncer se dissemina a órgãos distantes.
Tratamento
O tratamento varia conforme o estágio, sintomas e estado geral do paciente. Geralmente, são utilizadas quimioterapia e radioterapia, com opções adicionais de anticorpos monoclonais, terapia-alvo, imunoterapia e transplantes de células-tronco.
A hematologista menciona que recentes avanços foram feitos no tratamento de linfomas não Hodgkin, especialmente do tipo B, com a introdução de novas drogas direcionadas para células tumorais e terapia celular.
“Essa nova abordagem reativa o sistema imunológico em vez de atacar diretamente o tumor”, finaliza.
Atualmente, são disponíveis duas modalidades de tratamento para pacientes não curados com terapias de primeira linha. Uma é a medicação biespecífica, que reativa o sistema imune, e a outra é a CAR-T comercial, ainda não produzida no Brasil.
Fonte: Agência Brasil/EBC








