A falta de pagamento dos direitos de imagem dos jogadores pode se transformar em mais um problema para o Corinthians fora das quatro linhas. Com três meses de pendências após o vencimento mais recente, na terça-feira (20), o clube fica sujeito a pedidos de rescisão indireta apresentados por atletas, com fundamento na Lei Geral do Esporte.
A legislação brasileira estabelece, no artigo 90, parágrafo 1º, da Lei nº 14.597/2023, que o atraso de pelo menos dois meses nas obrigações relacionadas à remuneração ou ao contrato de direito de imagem pode justificar o rompimento do vínculo esportivo. Caso a rescisão seja reconhecida, o jogador também pode cobrar os valores em aberto e a cláusula compensatória esportiva.
Para buscar esse reconhecimento, os atletas podem recorrer às instâncias competentes, incluindo a Justiça do Trabalho e a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), vinculada à CBF. No caso de jogadores estrangeiros, a possibilidade de acionar a Fifa depende das regras e da competência aplicáveis à situação.
Pendências financeiras somam R$ 30 milhões
O Corinthians deixou de realizar o pagamento dos direitos de imagem previsto para terça-feira (20). Com isso, o período de inadimplência chega a três meses, e o montante devido ao elenco é estimado em R$ 30 milhões.
Apesar dos atrasos nessa modalidade de remuneração, os salários registrados nos contratos de trabalho pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) seguem em dia. Ainda assim, o acúmulo das pendências amplia a pressão sobre a administração de Osmar Stabile e expõe as dificuldades de fluxo de caixa enfrentadas pelo clube.
Diretoria tenta destravar recursos
Uma das alternativas em discussão para regularizar os compromissos envolve a liberação de valores mantidos em uma conta retida pela Caixa Econômica Federal. A movimentação está relacionada às negociações envolvendo os naming rights da arena corintiana e uma operação ligada às dívidas do clube.
O cenário financeiro é agravado pelo resultado registrado nas contas alvinegras. Até julho de 2026, o Corinthians acumulava déficit de R$ 278 milhões, enquanto a previsão orçamentária para o período apontava um resultado negativo de R$ 77 milhões.
Crise também preocupa dentro de campo
A dificuldade para cumprir os compromissos financeiros ocorre em paralelo ao momento esportivo delicado da equipe. O Corinthians soma nove partidas consecutivas sem vencer e permanece próximo da zona de rebaixamento, aumentando a cobrança da torcida e a pressão sobre a diretoria.








