O turismo de observação de baleias-jubarte não apenas diverte, mas também desempenha um papel fundamental na conservação dessas criaturas majestosas. O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, localizado na Bahia, se destaca como um eixo vital para a proteção e reprodução dessa espécie.
Paulo Salomão, que desde pequeno acompanhava seu pai no mar, tornou-se capitão de barco e lidera expedições de observação. “Lembro que eu enjoava muito e pensava que nunca conseguiria seguir no mar, mas a paixão falou mais alto”, relata. Ao completar 18 anos, ele se formou como piloto de embarcação, mas as mudanças trazidas pela criação do parque em 1983 alteraram seu percurso profissional.
Proibida a pesca em determinadas áreas, Salomão optou por explorar a rica biodiversidade marinha, oferecendo experiências de mergulho e passeios para turistas.
Seu primeiro barco, ironicamente chamado de Teimoso, reflete sua determinação. Atualmente, ele opera quatro embarcações, uma delas com capacidade para 50 pessoas, sendo o turismo de observação de baleias um atrativo crescente. “Nos últimos dez anos, julho e agosto se tornaram os meses de maior movimento, superando até o verão”, destaca.
Um Refúgio para as Jubartes
Abrolhos é crucial para o ciclo reprodutivo das baleias-jubarte. Todos os anos, elas percorrem até 4 mil quilômetros desde a Antártica até essas águas quentes, onde acasalam e dão à luz.
A presença das jubartes tem gerado um enorme impulso econômico em localidades costeiras, incluindo Caravelas. “Muitos que antes atuavam em outras funções agora se tornaram marinheiros, aproveitando o crescimento do setor”, afirma Salomão.
O aumento populacional de baleias no Brasil, que passou de 2 mil indivíduos nos anos 90 para cerca de 35 mil em 2022, é resultado direto de algumas ações efetivas:
- Proibição da caça em 1987;
- Criação do Parque Marinho dos Abrolhos;
- Atuação de grupos ambientalistas.
O Instituto Baleia Jubarte, fundado em 1988, tem sido um pilar fundamental na preservação, promovendo o turismo de observação como uma solução que valoriza as baleias vivas e garante um convívio harmônico com o meio ambiente.
Condições de Atuação no Turismo
Para operar neste segmento, os responsáveis devem seguir legislações da Marinha e do Ministério do Meio Ambiente.
Barcos precisam atender a requisitos de licenciamento e seguir diretrizes de interação com as baleias. Uma nova regulamentação, publicada em agosto de 2026, estabelece, entre outras normas, uma distância mínima de 100 metros dos animais.
Eduardo Camargo enfatiza que é necessário um comprometimento com a conservação e a geração de renda para as comunidades locais, tornando o turismo uma alternativa sustentável.
Impacto Social e Educativo
A observação de baleias não apenas encantam, mas também conscientizam o público. “Ver as baleias transforma as pessoas e pode estimulá-las a adotar hábitos mais sustentáveis”, afirma Camargo.
A experiência de avistar uma jubarte em seu habitat tem um impacto profundo em visitantes, como Deise Gomes Valente, que ao conhecer Abrolhos, descreveu sua emoção: “Quando a primeira baleia apareceu, foi de tirar o fôlego.”
Após uma longa viagem, Karina Moraes e amigos foram agraciados com vistas espetaculares de baleias, confirmando que todo esforço valeu a pena.
O Instituto Baleia Jubarte mantém centros informativos e busca capacitar operadores locais, integrando turismo e preservação ambiental.
Estudos do FMI e da Universidade de Duke indicam que as baleias no Brasil, incluindo as jubartes, geram mais de US$ 82 bilhões em serviços ecológicos e turísticos.
Fonte: Agência Brasil/EBC








