As lembranças e a saudade tomam conta dos visitantes do Campo da Esperança, cemitério na capital federal, durante o Dia de Finados. Gorete Nascimento, de 71 anos, iniciou seu dia antes das 7h em Cidade Ocidental, GO, trazendo flores e materiais de limpeza para deixar a lápide da família impecável, já que parte dela encontra-se sepultada neste local, a 47 km de Brasília.
Numa emocionante narrativa, Gorete compartilha histórias familiares ao mostrar fotos de seus pais e irmãs que descansam ali. A perda de uma delas, Angelita, que completaria 86 anos em breve, ainda a afeta profundamente, dado que não houve um adeus adequado durante a pandemia.
“Sempre venho aqui no Dia de Finados e também nos aniversários. Sinto saudade e faço essas visitas em homenagem à minha irmã, que também nunca deixava de vir aqui”, conta Gorete.
O Campo da Esperança possui áreas distintas, e enquanto os túmulos da família de Gorete estão em uma seção antiga, os sogros de Neuza Maria Nora estão localizados na parte mais recente, onde as sepulturas são marcadas apenas por pequenas placas e velas, expressões de respeito e memória. Neuza reflete sobre a fragilidade da vida, ressaltando que a morte não faz distinção social.
“Acho que as pessoas deveriam frequentar mais os cemitérios. É um lugar que nos lembra que a todos nos aguarda o mesmo destino”, destaca Neuza.
Marcelo Oliveira também se fez presente para homenagear seu pai com flores. Ele frequentou o cemitério várias vezes ao longo do ano, e a visita de hoje foi um momento de reflexão em família, embora seu irmão mais velho não tenha conseguido vir devido à forte emoção.
“Ele afirma que é difícil para ele lidar com isso e por isso evita vir”, acrescenta Marcelo.
Tradição de homenagem
A rememoração no Dia de Finados no Brasil tem raízes na tradição portuguesa, com uma origem histórica que remonta ao monge Odilo de Cluny, que estabeleceu a data em 998. Esta data, apesar de sua origem católica, é também celebrada por diversas denominações cristãs e por religiões afro-brasileiras, que realizam rituais de homenagem aos seus ancestrais.
A oficialização do Dia de Finados como feriado nacional ocorreu em dezembro de 2002, através da Lei 10.607/2002, proposta pela então deputada federal Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).
Fonte: Agência Brasil/EBC








