Abel Ferreira aproveitou a coletiva após a goleada de 6 a 1 sobre o Remo para ir além do jogo. O técnico do Palmeiras elogiou a atuação da equipe nesta quinta-feira (5), no Nubank Parque, mas os momentos mais marcantes da entrevista vieram quando o português criticou as convocações para a Data Fifa e defendeu que a consistência vale mais do que dinheiro no futebol brasileiro.
“Vínhamos sendo menos eficientes”
Antes de qualquer coisa, Abel fez questão de contextualizar a performance ofensiva do time. Para ele, seria simplista elogiar a atuação sem reconhecer as dificuldades recentes.
“Falar só desse jogo é fácil, porque a eficácia foi boa, mas temos que falar dos últimos jogos. Vínhamos sendo menos eficientes”, disse.
O treinador avaliou que o Palmeiras foi sólido nos dois sentidos do campo — criou e controlou ao mesmo tempo. E aproveitou para elogiar o adversário.
“Fizemos um jogo seguro, leve, fomos fortes nas criações e em não dar chances. Eu, particularmente, contra os times do Carpini tenho tido dificuldades, mas hoje fomos eficientes em como desmontamos aquela linha de cinco. Foi um jogo muito agradável para quem assistiu”, analisou.
Consistência acima do investimento
Questionado sobre a briga pelo título e o poderio financeiro do Flamengo, Abel foi direto.
“Se fosse pelo dinheiro e investimento, o Flamengo era sempre campeão. O que acho que define é a consistência”, declarou.
O técnico citou o equilíbrio do Brasileirão — com adversários como Corinthians, São Paulo, Santos e Cruzeiro — para reforçar o argumento. E fez questão de elogiar a presidente do clube pela estabilidade do projeto.
“A diferença é a consistência nos processos, no treinador. Admiro a nossa presidente porque, mesmo quando tem barulho, ela mantém os nossos profissionais. Essa é a diferença. Se os clubes forem consistentes, podem competir mais”, acrescentou.
Maurício intocável
Com a temporada entrando na reta final, Abel admitiu que a concorrência interna virou um problema de bom tom. O problema, segundo ele, não é quem entra — é quem sai.
“O Maurício, da forma que está jogando, preciso ver quem vou tirar dos outros, e não vai ser ele”, afirmou, referindo-se ao meia que marcou um dos gols da goleada.
A crítica mais dura: convocações injustas
O momento mais contundente da coletiva foi sobre a Data Fifa. Abel não escondeu o incômodo com o desequilíbrio entre os clubes na hora das convocações.
“Eu particularmente não gostei quando falaram que não vão chamar jogadores do Palmeiras, já que antes já não chamavam. A CBF decide não convocar três ou quatro jogadores do Flamengo, porque do Palmeiras já não ia nenhum. Isso são fatos”, disparou.
O técnico então ampliou a crítica para as seleções de Argentina e Paraguai, que levam atletas do Verdão para jogos fora do país enquanto outros clubes rivais ficam com seus jogadores.
“A Argentina decide convocar dois ou três, Paraguai, dois ou três, e eu pergunto se isso é justo. Uma equipe lutando pelo Brasileirão, haver seleções que dispensam jogadores e outras que os levam para o outro lado do mundo, sendo que o Palmeiras paga os salários”, questionou.
E foi além, sugerindo que o técnico argentino Lionel Scaloni poderia adotar o mesmo critério para todos.
“O Scaloni podia dizer a mesma coisa: jogadores do Palmeiras e do Flamengo não vou convocar nenhum”, completou.
Vasco no domingo
O Palmeiras encerra a semana com o olhar voltado para a Copa do Brasil. No domingo (8), o time visita o Vasco em São Januário pelo segundo jogo da semifinal. Com a vitória por 1 a 0 no confronto de ida, Abel tem a vantagem do empate para escalar sua equipe rumo à final.






