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Eleitores nos EUA rejeitam grandes corporações e ações caem

Editor by Editor
06 nov 2026
in Brasil
Apoiadores reagem após vitória do candidato democrata James Talarico.
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As recent local referendum results from the United States signal a forte resistência pública à instalação de data centers em diversas comunidades. Esta situação provocou uma queda acentuada nas ações de empresas de tecnologia ao redor do mundo.

Durante as eleições de meio de mandato na última terça-feira (3), de 41 plebiscitos realizados em dez estados, 40 receberam votos contrários aos projetos das grandes corporações de tecnologia.

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A perda de influência do partido de Donald Trump, que agora não conta com maiorias na Câmara e no Senado, deve-se também ao receio de muitos cidadãos sobre o avanço da inteligência artificial (IA).

Uma pesquisa conduzida pela NBC News revelou que 57% dos entrevistados acreditam que a IA traz mais danos do que benefícios, enquanto 76% opuseram-se à construção de data centers em suas regiões.

Como resposta a esse novo cenário político, os mercados financeiros enfrentam um cenário de queda, notoriamente influenciados pela desvalorização das ações das grandes companhias de tecnologia. As ações do Nasdaq Composite caíram 5,5% na sexta-feira (6).

O diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI), André Roncaglia, explicou à Agência Brasil que o desdobramento eleitoral alterou a coalizão que dá suporte a Trump, a qual inclui as grandes empresas de tecnologia como aliados importantes.

“Nos EUA, os estados que apresentavam menos regulamentação para data centers atraíam significativos investimentos, gerando repercussões ambientais e aumento nos preços da energia e água. Isso gerou um efeito de reação popular”, observou Roncaglia, economista e docente da Universidade de Brasília (UnB).

Apoiadores reagem após veículos de comunicação projetarem a vitória do candidato democrata ao Senado dos EUA e representante estadual do Texas, James Talarico, nas eleições de meio de mandato nos EUA, em Austin, Texas, EUA, em 3 de novembro de 2026
REUTERS/Mike Segar
Apoiadores reagem após a confirmação da vitória de James Talarico nas eleições de meio de mandato nos EUA. Reuters/Mike Segar/Proibida reprodução

Aumento do Custo de Vida

A crescente instalação de data centers, que consomem grandes quantidades de energia e água, agravou o custo desses recursos nas áreas onde são instalados.

Em resposta, os candidatos do partido Democrata advogaram por uma maior regulação do setor, contrariamente à abordagem de Trump que se opõe a qualquer tipo de regulamentação que possa restringir investimentos.

Segundo Roncaglia, a conquista da maioria pelos democratas no Congresso sugere ao mercado que o ambiente anteriormente desregulamentado para a IA e os data centers provavelmente sofrerá modificações.

“Mudanças na política geralmente acarretam ajustes no mercado financeiro. Esse movimento era esperado caso houvesse a alteração política. Ao que tudo indica, devemos acompanhar um processo de adaptação a essa nova regulamentação”, esclareceu.

São Paulo (SP), 19/10/2026 - Organizações da sociedade civil e movimentos sociais realizam protesto em frente à sede da Meta, na avenida Faria Lima,3732, para denunciar o que consideram interferência sistemática da big tech na eleição brasileira. Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil
Organizações da sociedade civil e movimentos sociais no Brasil protestaram contra suposta interferência de big techs nas eleições brasileiras. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Plebiscitos

A maioria dos referendos locais sobre a instalação de data centers teve origem em mobilizações populares, com petições provenientes da comunidade. Cinquenta plebiscitos estavam previstos para 2026, dos quais 41 ocorreram na última terça-feira, e três estão agendados para dezembro.

Dentre os 47 plebiscitos realizados até agora, apenas um teve resultado positivo para a construção de data centers. A maior parte dos plebiscitos propôs restrições ou proibições para centros com uma demanda igual ou superior a 25 megawatts, o que denota a criação de centros de hiperescala.

A ONG Ballotpedia, que compila esses dados, revela que a rejeição aos data centers ultrapassa 60%. Em Ottawa, Kansas, a proibição da construção de centros com consumo superior a 25 megawatts obteve 72% dos votos a favor.

O diretor-executivo da Brazil Office Alliance, Paulo Abraão, destacou que 56% dos votantes consideraram a IA e os data centers fatores decisivos ao exercer o voto.

“Esse fenômeno é politicamente relevante, pois ultrapassa divisões partidárias convencionais. Trata-se de uma exigência por controle democrático sobre a expansão da tecnologia, não meramente uma rejeição à modernidade”, observou o diretor, que conecta pesquisadores brasileiros atuantes nos EUA.

Abraão afirma que a questão central no debate é: quem se beneficiará financeiramente com as inovações tecnológicas e quem arcará com os custos sociais e ambientais enfatizados?

“A inteligência artificial tornou-se uma pauta fundamental nas eleições americanas, e há indícios de que será um ponto central nas disputas presidenciais de 2028. Isso se agrava pela crescente insatisfação pública em relação à aliança Trump-Musk”, concluiu.

Elon Musk gesticula no pódio durante a posse do segundo mandato do presidente Donald Trump, em Washington, EUA, em 20 de janeiro de 2025. Reuters/Mike Segar/Proibida reprodução
Elon Musk fez gesto associado ao nazismo na posse de Trump. Reuters/Mike Segar/Proibida reprodução

Regulação Democrática

A expectativa agora é de que os democratas proponham leis voltadas à regulação da IA, com o intuito de proteger os consumidores e estabelecer limites para o avanço da tecnologia.

“A pauta prioritária dos democratas deve incluir a interrupção do desenvolvimento de IA avançada, a regulamentação de um setor descontrolado e a proibição da superinteligência artificial”, afirmou a nova deputada pelo Arizona, Yassmin Ansari.

Frente ao desconforto popular em relação ao setor, Trump anunciou uma proposta de autorregulação em setembro, onde as grandes empresas determinarão seus próprios sistemas de segurança e controle.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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