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A Ascensão das Bicicletas Elétricas e Seus Desafios Urbanos

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17 ago 2026
in Brasil
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O crescimento do uso de bicicletas elétricas no Brasil apresenta um fenômeno que gera tanto soluções quanto desafios nas cidades. Ao longo de apenas oito anos, a quantidade desses veículos, além de ciclomotores, aumentou 37 vezes, passando de 7,6 mil em 2016 para impressionantes 284 mil em 2024, de acordo com informações do setor.

O programa “Caminhos da Reportagem”, exibido na TV Brasil nesta segunda-feira (17) às 23h, explorará a fundo esse fenômeno e as respostas das cidades a essa nova realidade.

Em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, essas bicicletas já estão consolidando seu espaço no cotidiano, se configurando como uma alternativa para deslocamentos curtos. Contudo, esse conceito inovador também traz riscos para aqueles que compartilham os espaços urbanos.

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“O aumento no uso das bicicletas elétricas ocorreu de forma espontânea, mas isso levanta discussões sobre a convivência e o uso seguro desses veículos”, declara Luiz Saldanha, diretor executivo da Aliança Bike, entidade que congrega lojistas e fabricantes do setor.

Saldanha acredita que a população reconhece essas bikes como uma solução viável, mas ressalta a importância de integrar esses veículos na dinâmica cotidiana de maneira ordenada.

Entretanto, a crescente popularidade das bicicletas elétricas também resultou em acidentes trágicos, como o que vitimou o menino Chico de 9 anos e sua mãe, no Rio de Janeiro. Ambos estavam em um veículo autopropelido quando foram atropelados por um ônibus em março deste ano.

“É fácil pensar que acidentes são raros, mas a dor de uma perda sempre faz refletir sobre a fragilidade da situação. Isso poderia ter acontecido com qualquer um de nós”, diz o pai de Chico, Vinicius Cacofonias.

Atualmente, a legislação sobre o uso desses veículos é regulamentada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), com a norma mais recente sendo de 2023. Segundo esta resolução, os veículos se dividem em três categorias principais. A primeira inclui as bicicletas elétricas, que necessitam da potência do ciclista e oferecem apenas o pedal assistido, ajudando o usuário a acelerar.

A segunda categoria se refere aos autopropelidos, que podem não ter pedal e que não exigem a força do ciclista para se locomover, limitando sua velocidade a 32 km/h. Os ciclomotores, por outro lado, funcionam sem a propulsão humana e podem alcançar até 50 km/h.

A posse e condução das duas primeiras categorias não requerem habilitação ou licenciamento. Os ciclomotores, porém, pedem habilitação na categoria A ou uma autorização específica, além de registro e licenciamento.

Segundo Raphael Pazos, integrante da Comissão de Segurança do Ciclismo do Rio, a decisão de não exigir habilitação para autopropelidos é uma falha. “A resolução do Contran 966 de 2023 redefiniu categorias e permitiu a circulação de dispositivos que antes eram proibidos, autorizando o uso em calçadas e infraestruturas para ciclistas. Isso significa que qualquer jovem, mesmo de 13 anos, pode adquirir e pilotar esses veículos”, critica.

De acordo com Marcus Quintella, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), as cidades precisam se adaptar a essa nova realidade dos transportes. “As cidades brasileiras não estão preparadas para essas inovações. Atualmente, o que se observa são adaptações para incluir essas bikes. O uso desses veículos, desde as bicicletas convencionais até os ciclomotores, já compõe uma parte significativa do transporte urbano. Devemos encontrar um equilíbrio que não comprometa a micromobilidade, mas também assegure a segurança nas vias,” conclui.

Fonte: Agência Brasil/EBC

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