Na última sexta-feira (4), o Brasil celebrou um marco de 79 anos do movimento Alcoólicos Anônimos (A.A.), simbolizado por uma reunião no grupo Posto 11, localizado no Leblon, Rio de Janeiro, às 17h30. Este evento foi especialmente voltado para a inclusão de deficientes auditivos, que enfrentam desafios relacionados ao consumo de álcool.
“Celebraremos uma trajetória construída por milhares de vidas que, através do Alcoólicos Anônimos, encontraram um caminho de recuperação, esperança e uma nova maneira de viver”.
Informações Relacionadas:
- Estudo global revela os danos do álcool à saúde mental.
- Redução de 19,5% nas mortes relacionadas ao álcool no trânsito nos últimos 14 anos.
Em apenas seis meses de 2026, a Linha de Ajuda (21 2253-3377) registrou um aumento de 97% no número de atendimentos, saltando de 1.521 em 2025 para aproximadamente 3 mil neste ano. Além disso, os downloads do aplicativo AARJ cresceram 38%, alcançando 97.340 no primeiro semestre.
O movimento de Alcoólicos Anônimos começou em 1935 em Akron, Ohio (EUA), quando um corretor de Nova York, Bill W., se uniu a um cirurgião local, Dr. Bob S., ambos enfrentando sérios problemas com alcoolismo.
A primeira reunião no Brasil foi realizada no Rio de Janeiro em 5 de setembro de 1947, graças a esforços de pioneiros e relatos de visitantes de outros países. Atualmente, o A.A. conta com uma vasta rede de grupos de apoio presenciais e virtuais no estado do Rio.
No dia do aniversário, 5 de setembro, acontecerá uma live especial, que ocorrerá entre 11h e 12h30, no canal do Escritório de Serviços Locais de Alcoólicos Anônimos do RJ (ESL RJ) no YouTube.
“O Escritório do A.A. no Rio tem trabalhado em várias iniciativas para tornar nossos eventos mais acessíveis às pessoas com deficiência. A cada ano, avançamos, e atualmente contamos com intérpretes de libras nas nossas atividades online”, comentou o diretor do ESL RJ, que preferiu não ser identificado por motivos de privacidade do A.A.
Pela Linha de Ajuda, é possível obter informações sobre grupos que oferecem acessibilidade para cadeirantes.
Testemunhos
C.S, um homem de 54 anos e residente da Rocinha, que está há 20 anos sóbrio, relata: “Percebi que minha vida não progredia; o álcool prejudicou minha memória e eu tinha dificuldades para parar de beber. Cheguei à irmandade aos 34 anos, após tentar em vários lugares sem sucesso. Sem a ajuda de Alcoólicos Anônimos, não estaria vivo; este apoio continua a ser fundamental na minha jornada de recuperação. Participo de 3 a 4 reuniões por semana e compartilho a mensagem de A.A. com quem precisa, o que é extremamente recompensador”.
C.D, 65 anos, de São Gonçalo, está em abstinência há 34 anos e seis meses. Ele confessa: “Comecei a beber aos 15 anos, logo após a morte da minha mãe. Em 1992, encontrei o Alcoólicos Anônimos e desde então me mantenho ativo. A.A. é uma parte essencial da minha vida, e devo a ela minha sobriedade, praticando o programa diariamente”.
A.D, uma mulher de 27 anos da capital, está há oito anos sem consumir álcool. Ela começou a beber aos 12 anos: “Meu padrão de consumo era diferente do dos meus amigos. Depois de muitos episódios de ‘apagões’ e comportamentos destrutivos, entrei no Alcoólicos Anônimos aos 19 anos, no final do meu primeiro ano na faculdade. Essa irmandade realmente salvou minha vida”.
Ela acrescenta: “O A.A. me deu uma nova vida. Agora, tomo decisões conscientes e planejo o futuro, mas sempre lembrando que o mais importante é evitar o primeiro gole. Assim, consigo alcançar todas as conquistas. Vivo um dia de cada vez, seguindo a filosofia de ‘só por hoje’ em diversas áreas da minha vida”.
Outro depoimento é de M.T, uma mulher de 46 anos e 19 anos e meio em recuperação, que participa de reuniões mistas e femininas: “Entrei no A.A. com 26 anos, após inúmeros episódios de bebedeiras e lapsos de memória, o que chamamos de ‘apagamentos’. Durante esses meses, eu dirigia e me locomovia, mas não lembrava de quase nada no dia seguinte, a não ser flashes da noite anterior”.
Ela compartilha: “Muitas vezes, sofri e causei violência, além de enfrentar situações humilhantes que me afastaram das pessoas. Esse isolamento me levou a pedir ajuda aos meus pais, que me encaminharam para uma terapia de 12 passos, onde fui apresentada ao A.A. Desde então, minha vida tem sido transformada; vivo com uma nova perspectiva”.
Fonte: Agência Brasil/EBC








