Aos 70 anos, o famoso cartunista Angeli, natural do bairro da Casa Verde em São Paulo, deixou uma marca indelével ao abordar temas polêmicos através de personagens bem-humorados.
Entre suas criações mais memoráveis estão Bob Cuspe, a irreverente Rê Bordosa, e os Skrotinhos. Esses personagens, com sua abordagem ácida e crua, evidenciam aspectos do cotidiano urbano brasileiro.
Angeli, também conhecido como Arnaldo Angeli Filho, começou a desenhar na infância. Sua formação como cartunista foi impactada pela leitura do jornal O Pasquim, onde conheceu artistas como Millôr Fernandes, Jaguar e Ziraldo.
A partir da década de 1970, Angeli começou a contribuir com charges para a Folha de S.Paulo e estabeleceu a tira diária Chiclete com Banana, que se tornou uma revista de quadrinhos independente.
Nessa publicação, surgiram os icônicos Los 3 Amigos, criados junto com os cartunistas Glauco e Laerte, com a participação de Adão Iturrusgarai.
De acordo com Adão, foi por meio das histórias de Rê Bordosa que teve seu primeiro contato com Angeli. Ele comenta: “Aprendi muito com eles. A amizade e a parceria eram o mais importante nessa troca. Angeli me influenciou bastante.”
A visão de Adão sobre Angeli é intensa: “Ele é um dos maiores artistas do século XX, desafiando a rigidez do quadrinho brasileiro da época e incorporando uma estética punk de maneira inovadora.”
Bob Cuspe, uma figura representativa da contracultura, é considerado uma extensão da própria persona de Angeli. Sua narrativa foi explorada no filme Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente, de 2021.
Angeli reconhece que sua obra evoluiu com o tempo, afirmando: “Meu traço mudou. Eu não sou o mesmo”.
Ergam bandeiras as mais inusitadas, especialmente após a morte de Rê Bordosa em 1987; Angeli apresentou Os Skrotinhos, que se tornaram um fenômeno de identificação popular.
Segundo Laerte, “Os Skrotinhos são versáteis e se adaptam a diferentes contextos sociais, explorando temas complexos e desafiadores”.
A aposentadoria de Angeli em 2022 veio após um diagnóstico de afasia, condição que posteriormente revelou-se parte de um quadro de demência frontotemporal.
Angeli, com seu estilo inconfundível, revolucionou o cenário dos quadrinhos brasileiros, capturando as nuances e ironias da vida urbana com um traço único.
Fonte: Agência Brasil/EBC








