O lançamento do romance Nódoa foi um momento de celebração da literatura interiorana protagonizado por Calila das Mercês, que compartilhou a importância das experiências e da cultura local em sua formação literária.
A escritora baiana, conferencista e jornalista também ocupa o papel de curadora na quarta edição do Festival Literário de Paracatu, localizado a 500 km de Belo Horizonte (MG).
Um Encontro de Ideias Literárias
Calila compartilha sua visão sobre o tema deste ano do festival, Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo, que ilustra a discussão entre pensamentos de Milton Santos e João Guimarães Rosa, grandes influenciadores da literatura brasileira.
Ela expressa admiração pelos livros de Guimarães Rosa, considerando Grande Sertão “excepcional” e relatando a forte emoção que sentiu ao ler Campo Geral de 1956. Com Milton Santos, ela estabelece uma conexão entre sua própria origem e o interior da Bahia.
“Estamos prestando homenagem ao Milton Santos, que trouxe discussões fundamentais sobre nosso espaço e a forma de se pensar o território”, ressalta Calila.
Calila, ao lado de Sérgio Abranches e Afonso Borges, idealizador do festival, é uma das vozes que molda esta edição, trazendo ao público uma diversidade de pensamentos. Nomes como Mia Couto, Bruna Lombardi e Jeferson Tenório também se farão presentes.
Literatura em Movimento
No âmbito de suas criações, Calila, que já havia publicado livros de poesia e contos, apresenta Nódoa, um romance que expressa sua contínua busca por novas experiências literárias. A escritora menciona que a obra foi escrita em circunstâncias variadas, como em ônibus e em meio a mudanças de casa, capturando a essência do movimento e da transformação.
“O livro reflete um sentido de deslocamento, criando conexões com a natureza e a urbanidade que nos cercam”, afirma Calila.
Ela relata que sua escrita cresceu a partir de experiências vividas, como suas frequentes visitas ao rio São Francisco.
Sobre Nódoa
A narrativa de Nódoa explora as histórias de Regina e Lurdes Maria, retratando a vida de diversas mulheres que mantêm seus vínculos apesar do movimento constante. O trabalho não se limita às palavras, abrangendo uma experiência gráfica que comunica a individualidade das personagens, incluindo suas vozes silenciadas.
“Utilizei diferentes estilos de escrita para retratar a diversidade de experiências”, explica Calila, enfatizando as “manchas” deixadas por histórias que permanecem na memória.
“As nódoas podem lembrar momentos queridos, simbolizando algo que nunca se apaga da nossa vida”, conclui a escritora.
Informações do Festival
4º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)
Data: de 26 a 30 de agosto de 2026
Local: Centro Histórico de Paracatu
Entrada gratuita
Fonte: Agência Brasil/EBC








