A transformação cultural em Bom Jesus dos Perdões, município situado a cerca de 65 km da capital paulista, ganhou um novo capítulo com a inauguração da Casa do Leitor. Desde sua fundação, em 2016, a livraria passou a impulsionar a leitura e promover debates, criando um espaço essencial para seu público.
Com cerca de 22 mil habitantes, a cidade nunca teve uma livraria até a chegada da Casa do Leitor, idealizada por Guilherme Moura e Fernanda Miquelino. Antes da abertura, a cultura local era frequentemente subestimada, levando muitos a acreditar que não havia demanda por iniciativas nesse campo.
O surgimento da livraria
Iniciando suas atividades de forma online, Guilherme começou a vender livros para custear sua formação em psicologia. Com o tempo, ele e Fernanda decidiram expandir suas operações para um espaço físico, dado que a cidade carecia desse tipo de comércio.
“Realizamos a inauguração com a presença do professor Christian Dunker. O evento foi um sucesso e nos fez perceber a sede cultural da região”, relata Guilherme.
Cultura em movimento
A livraria desenvolveu uma vasta gama de eventos, desde lançamentos literários e festivais até feiras de vinil e sessões de cinema. Personalidades renomadas como Marcelo Rubens Paiva e padre Júlio Lancellotti já passaram pela Casa do Leitor, atestando a relevância do espaço na promoção cultural.
Apesar de sua popularidade entre os moradores, o espaço ainda enfrenta desafios na atração de um público mais amplo. Guilherme acredita que há uma falta de apoio por parte da administração pública, que poderia ajudar a promover a livraria e suas atividades.
“Conseguimos reunir um bom número de pessoas em nossos eventos, mas ainda há muita demanda a ser atendida. O apoio do poder público seria essencial para ampliar nossas iniciativas”, observa.
Presença constante na livraria, Magda Machado Ribeiro Venancio, 72 anos, destaca a importância da Casa do Leitor para a comunidade: “Ela trouxe uma nova dinâmica para Bom Jesus dos Perdões, tornando a cidade mais atrativa para quem vem de fora”.
Mario Casimiro Gonçalves, um jovem de 31 anos e frequentador assíduo, elogia o espaço por fornecer um ambiente de resistência e troca cultural. “Era um lugar que a cidade precisava urgentemente, e agora é um curso de diversificação cultural”, afirma.
O impacto vai além das fronteiras culturais e já influencia a educação local. Segundo Ricardo Augusto Pontes Moraes, secretário de Educação, a Casa do Leitor permitiu que 240 alunos participassem de projetos pedagógicos, proporcionando um acesso valioso à leitura e à literatura.
Com uma agenda repleta até novembro, a livraria ainda sustenta desafios, principalmente em conseguir o engajamento da administração pública: “Temos uma equipe pequena e recursos limitados, mas estamos fazendo o melhor possível com o que temos”, conclui Guilherme.
Fonte: Agência Brasil/EBC







