No Dia Mundial da Alimentação, celebrado na última sexta-feira (16), figuras da agricultura familiar e coordenadores de cozinhas solidárias reafirmam seu compromisso com a erradicação da fome no Brasil por meio do trabalho colaborativo.
Esse resultado é atribuído a iniciativas como a da Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, em Brasília, liderada por dona Maria do Cerrado, que atende mais de 800 pessoas em situação de vulnerabilidade.
Três vezes por semana, dona Maria e um grupo de 37 voluntários se revezam nas atividades de separação, armazenamento e preparo dos alimentos, além de receber quem busca não apenas uma refeição, mas também um espaço de acolhida.
“Muitos conflitos familiares e situações de violência são resolvidos enquanto compartilhamos uma refeição juntos”, testemunha dona Maria.
“Aqui, o alimento é tratado como sagrado e como uma forma de cura. Ele é preparado com muito carinho”, complementa.
Além do atendimento nos pratos, a cozinha também distribui 200 cestas básicas para famílias vulneráveis. Esse modelo de assistência surgiu após a cozinha receber doações de produtores, como Hosana Alves do Nascimento.
Proveniente de uma família de agricultores, Hosana transformou uma área urbana em São Sebastião, no Distrito Federal, em um sistema agroflorestal, onde cultiva verduras, raízes e árvores frutíferas em um pequeno espaço.
“Embora o espaço seja reduzido, conseguimos otimizar a produção. Nossos cultivos são agroecológicos e livres de agroquímicos”, destaca.
A parceria entre a produtora e a cozinha que oferece o alimento final é viabilizada pelo Programa de Aquisição de Alimentos, uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário, que fornece produtos diretamente às cozinhas solidárias, as quais fazem parte de uma política pública da pasta que aborda a vulnerabilidade alimentar.
De acordo com Lilian Rahal, secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do MDH, essa conexão facilitará que os alimentos atinjam os necessitados.
“Essa colaboração nos permite oferecer alimentos verdadeiros, produzidos pela agricultura familiar, especialmente em áreas que muitas vezes ficam à margem da ação estatal”, afirma.
Além de garantir acesso a alimentos saudáveis, a colaboração entre esses diferentes grupos também enriquece a diversidade de opções para quem precisa.
Hosana, com sua ampla vivência no cultivo, ficou surpresa ao descobrir que muitas pessoas não têm acesso a frutas e vegetais comuns.
“Em uma entrega, uma criança perguntou à mãe: ‘Nós vamos comer melancia?’ Aquilo me cortou o coração, pensar que uma simples fruta não está ao alcance dela”, recorda a produtora.
A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, ressalta que os esforços para combater a insegurança alimentar surgiram quando o Brasil ainda enfrentava o Mapa da Fome, impulsionados pela sociedade civil que se organizou durante a pandemia para criar as cozinhas solidárias.
Fonte: Agência Brasil/EBC








