O Memorial das Vítimas da Violência Armada, situado no Complexo da Maré, recria um espaço de reflexão e memória a partir da perda. Nos últimos dez anos, a comunidade, composta por diversas favelas na zona norte do Rio de Janeiro, registrou a morte de muitos moradores em decorrência de conflitos armados. As operações policiais, por exemplo, resultaram em um trágico saldo de 160 vidas perdidas entre 2016 e 2025, conforme levantamento realizado pela ONG Redes da Maré.
A instalação, que agora passa por revitalização, foi criada pela artista Laura Taves e utiliza azulejos azuis e brancos para eternizar os nomes de 127 pessoas que perderam suas vidas. Na reinauguração, ocorrida nesta quinta-feira (5), foram adicionados 18 novos azulejos em homenagem a outras vítimas. A obra foi também embelezada com a recuperação dos jardins e a inclusão de bancos e um velário, tornando o espaço ainda mais acolhedor.
Um Espaço de Reflexão e Luta
A nova Praça da Paz, onde está localizado o memorial, é um ponto de intersecção entre duas comunidades que sofrem a influência de facções criminosas rivais, como a Nova Holanda e a Baixa do Sapateiro. Tainá Alvarenga, pesquisadora da Redes da Maré, destaca a dualidade do local: “É um espaço que simboliza a resistência dos moradores, mas que também carrega o peso da violência vivida por eles.” Ela comentou ainda que familiares das vítimas participam ativamente da pintura dos azulejos, promovendo um ato de memória coletiva.
O memorial atua como um marco tanto de intervenção urbana quanto de mobilização social, permitindo que as famílias expressem sua dor e suas demandas por justiça e melhorias nas políticas de segurança pública. A partir de hoje e até o próximo sábado (7), o Complexo da Maré também sediará um seminário focado na construção de caminhos para memória e reparação para os afetados pela violência armada.
“O seminário visa sinalizar a importância da memória e do direito ao luto das famílias que enfrentaram a tragédia dos confrontos armados e das operações policiais. É um momento para que possamos discutir e reivindicar melhores condições no âmbito da segurança pública,” conclui Tainá Alvarenga.
Fonte: Agência Brasil/EBC







